CTEEP: nove horas de negociação

01 junho 18:05 2007

Nove horas de calorosos debates, quatro interrupções solicitadas pela empresa e 12,5 horas de idas e vindas e muita espera. Assim foi a quarta rodada de negociação com a CTEEP, na última quinta-feira (31), em São Paulo.


A reunião, marcada para começar às 14h, teve início às 15h e só terminou às 24h. Ainda assim, o Sinergia CUT radicalizou e solicitou a produção imediata da ata com o relato de tudo o que aconteceu na mesa, e que só ficou pronta às 3h30 da madrugada de sexta (01).


O objetivo era ter o documento oficial da empresa em mãos, para garantir que todos os pontos levantados na longa negociação fossem registrados assim como foram debatidos no calor da discussão, sem alteração ou deturpação.


Mas, para o Sinergia CUT, apesar de essa rodada ter varado à madrugada, a proposta construída até então ainda não está concluída (veja a proposta abaixo). Alguns itens, como Gerenciamento de Pessoal, montante da PLR, DSR e Bolsa de Estudos precisam ser mais esclarecidos e detalhados no texto. Para tanto, uma nova reunião foi marcada para esta terça-feira (05).


Assembléias informativas
Somente com o texto pronto, o Sinergia CUT irá fazer avaliação para decidir que encaminhamento deve ser dado nas assembléias deliberativas que ocorrerão na semana que vem, entre os dias 11 (segunda) e 15 (sexta). Mas, desde esta sexta (01) e até terça (05), o Sindicato realiza reuniões informativas nos locais de trabalho. Participe!


A última proposta da CTEEP:
– Reajuste Salarial: 4.5% no salário de 01/06/07
– Abono: R$ 300,00 fixos, a ser pago logo após assinatura do ACT.
– Gratificação de Férias: mantém a atual política reajustando a parte fixa para R$ 1.306,25 (4.5%)
– Gerenciamento de Pessoal: concorda em rever a redação, com a manutenção da vigência até maio de 2009 mas mantém a posição de não estender a estabilidade aos trabalhadores admitidos após
31/05/2006
– PLR 2008: montante de duas folhas nominais
– Piso Salarial: Ajudante geral  – R$ 950 (11.6%); Engenheiros –  R$ 3.250 (9.3% acima do piso legal dos engenheiros)
– VR: R$ 375 – (7.1%)
– VA: R$ 120 – (11.1%)
– Auxilio Creche: R$ 350 – (11.1%)
– Auxílio Pessoas deficientes: R$ 350 (11.1%)
– DSR (Descanso Semanal Remunerado):  quando o trabalhador não compensar as horas trabalhadas em DSR, a empresa pagará em dobro. Quando
houver compensação, nada terá a receber
– Bolsa de Estudo: R$ 350 mil para
1200 trabalhadores
– Dirigentes Liberados: mantém atual política; porém, se algum diretor sindical se desligar da empresa na vigência desse acordo, a vaga não poderá
ser reposta


A LONGA JORNADA
Pelo menos três propostas foram apresentadas e discutidas em nove horas de negociação


Às 15h da última quinta (31), no início da quarta rodada de negociação com o Sinergia CUT, a direção da CTEEP continuou com o mesmo discurso de rodadas anteriores, ou seja, insistindo cortar direitos e reduzir conquistas do Acordo Coletivo.


A empresa queria redução da PLR 2008 para metade do valor atual, já que a folha base não considera os adicionais e exclui quem saiu no PDV. E mais: redução da Gratificação de Férias para o mínimo exigido em lei (1/3 do salário).  Pior: queria transferência dessa diferença da  Gratificação de Férias para a PLR, que ficaria condicionada a metas de qualidade.


Na cláusula de Gerenciamento de Pessoal, a empresa continuou com a meta de não conceder garantias aos trabalhadores  admitidos após o dia 31 de maio de 2006.


Quanto ao reajuste salarial, a direção colombiana da CTEEP conseguiu um feito: apresentou três propostas e nenhuma contemplava as reivindicações dos trabalhadores. Na primeira a fórmula propunha valores entre 3,85% e 4,5% que seriam integrados à PLR e também condicionados a metas. A segunda proposta dessa primeira etapa de negociação era de reajuste pelo INPC (estimado em 3,3%) mais 10% do índice (0,33%) mais um abono de 21% do salário nominal. Na terceira proposta a empresa reajustaria o salário em 4% a partir do dia 01 de junho.


A proposta foi recusada na mesa porque o Sinergia CUT entendeu que as reivindicações dos trabalhadores não foram atendidas – aumento real significativo, vigência do ACT até 2010, aumento do valor da hora extra, garantia  de continuidade na Fundação CESP, verba para planejamento de pessoal…


Diante da recusa, depois de quatro horas de negociação e de alguns intervalos solicitados pela empresa, o negociador contratado pela CTEEP solicitou novo tempo e…


… Duas horas depois…
…a empresa voltou com uma outra proposta que até avançou no econômico. A CTEEP propôs 4% de reajuste salarial mais 15% de abono, com pagamento imediatamente após a assinatura do Acordo Coletivo. Aumentou também o montante da PLR para duas folhas nominais, o que totaliza um valor de R$ 6,2 milhões.


Os benefícios teriam aumento real maior: 7,1% no vale refeição e 11,1% no vale alimentação, auxílio creche e auxílio para trabalhadores com necessidades especiais.


A direção da CTEEP também desistiu de reduzir a Gratificação de Férias e propôs manter a política atual com 4% de reajuste na parte fixa (R$ 1.300) mais 40% do salário.
Em relação ao pagamento de horas extras no DSR (Descanso Semanal Remunerado), a proposta é de pagamento em dobro, caso não haja possibilidade de compensação.
 
Mais uma recusa do Sindicato e a empresa solicitou outro período de intervalo para verificar possibilidade de novas alterações.
 
Por volta das 23h30, a CTEEP retornou com a última proposta do dia (e da noite), apresentada acima. A ata ficou pronta na madrugada.

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