CPFL reafirma interesse na Eletropaulo e na CESP

11 julho 15:07 2007

Entre a Cesp e a Eletropaulo, a CPFL pretende comprar ‘os dois’. A colocação é do presidente do grupo, Wilson Ferreira Júnior, em apresentação na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Apimec-RJ), respondendo à pergunta de um analista sobre qual dos dois ativos interessa mais à CPFL.


Ferreira ressalvou que não há nenhum projeto específico de compra de qualquer uma das duas empresas, já que ainda não há um processo formal de venda. No caso da Eletropaulo/Brasiliana, o grupo AES tem a preferência formal pela aquisição, e Ferreira disse que não sabe se o grupo americano vai exercer esse direito. Quanto à Cesp, ele não sabe se o governo paulista colocará a empresa à venda, embora ele acredite que seja possível.


Outra empresa que está no radar do grupo paulista é a CEEE, estatal controlada pelo governo do Rio Grande do Sul. ‘Por enquanto não há nenhuma sinalização do governo gaúcho de que vai vender a CEEE. Até agora, a empresa tem buscado parcerias para projetos específicos, como o que estamos tocando em Foz do Chapecó. É possível que esse quadro mude nos próximos anos’, acredita. Ele reiterou que a CPFL continua interessada em novas aquisições. ‘Estamos fazendo quase que uma aquisição nova a cada trimestre’, complementou.


Quanto a um possível investimento nas usinas do rio Madeira, em Rondônia, Ferreira disse que a CPFL ‘vai examinar’ quando as informações ficarem mais claras. ‘São investimentos muito elevados’, afirmou Ferreira, lembrando que na semana passada a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) elevou as projeções de custo do projeto de R$ 20 bilhões para R$ 25 bilhões. Esse montante supera os R$ 18 bilhões de valor de mercado da CPFL, comparou. Além disso, o projeto vai exigir a construção de novas linhas de transmissão, com até 2.500 quilômetros de extensão, o que também está indefinido.


O fato de estar aparecendo outro consórcio interessado nas usinas do Madeira (Santo Antônio e Jirau) poderá facilitar o ingresso da CPFL. Antes havia apenas o grupo Odebrecht/Furnas e Ferreira via pouco espaço para a CPFL, já que o grupo só atua como líder do empreendimento, o que seria difícil de se concretizar na hipótese de haver apenas aquele grupo. Agora, porém, está surgindo outro consórcio interessado, liderado pela Camargo Correa. ‘O processo ainda está muito indefinido. Não sabemos o valor do projeto, o custo da energia e nem a forma de comercialização. Vamos continuar aguardando’, complementou.


Na eventual compra da Eletropaulo/Brasiliana ou Cesp, Ferreira considera que o grupo CPFL conseguiria ‘capturar algumas sinergias’, o que justifica o interesse na possível compra. Segundo ele, os índices de eficiência da CPFL são melhores do que os da Eletropaulo, o que permitiria ganhos, inclusive com a redução das perdas comerciais. Já os ganhos com a Cesp seriam em outra direção, já que a estatal paulista atua na geração. Nesse caso, a CPFL vê ‘oportunidades’ na comercialização da energia gerada pelas hidrelétricas da estatal. ‘Temos a maior comercializadora do mercado’, argumentou. (Agência Estado)

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