Cansaço sem hipocrisia

03 agosto 15:40 2007

Diante de tantas mazelas que assolam o País, temos de dar um basta principalmente à hipocrisia. A campanha da elite, cujo estopim é o acidente com o Airbus da TAM, que resultou em lamentáveis 199 mortes, convoca a população para a ‘indignação’. Por detrás dessa suposta indignação, alocam-se, no entanto, intenções político-partidárias da elite paulista e à frente do movimento posicionam-se entidades como OAB-SP, ABERT, Fiesp, Febraban e Associação Comercial de São Paulo.


Sabemos da necessidade urgente da apuração das causas do acidente e esperamos que os responsáveis sejam identificados e punidos. Mais uma vez, sentimos pelos familiares das vítimas. Mas, em meio à crise aérea, um grupo aproveita-se sorrateiramente da comoção social para tirar proveito político da situação.


Justamente parte desses mesmos advogados, banqueiros e empresários puxa também a campanha ‘Juiz não é Fiscal’ em defesa da Emenda 3 que prejudica e propõe retirada de direitos dos trabalhadores brasileiros, sepultando a carteira assinada ao impedir que fiscais coíbam práticas ilegais nas relações trabalhistas. 


Parece até deboche, mas essa mesma elite não se cansa do assédio moral aos trabalhadores praticado nos locais de trabalho por banqueiros e empresários nem das altas taxas de juros e tarifas aplicadas nas operações financeiras dos correntistas. Não se indignam com os baixos reajustes salariais. Não se revoltam com as mortes que ocorrem nos locais de trabalho, conforme apontam altos índices do setor do agronegócio e da construção civil. 


A população trabalhadora já chegou à exaustão. Está exausta com tanta violência praticada contra os mais pobres nas periferias, com a exploração do trabalho infantil, com as extenuantes jornadas de trabalho, com a corrupção, com os latifúndios improdutivos, com as mortes dos trabalhadores do campo, com o preconceito racial, com a fome e a miséria. Enfim, os trabalhadores estão exauridos com as injustiças, a desigualdade e, principalmente, com a concentração de renda que beneficia apenas a elite brasileira.


Para dar um basta ao verdadeiro cansaço que há séculos se abate sobre as camadas populares, precisamos de mobilização. A CUT sempre esteve em ação e, no próximo dia 15 deste mês, realizará mais um Dia Nacional de Lutas para marcar posição contra a Emenda 3, a favor da manutenção e ampliação de todos os direitos previdenciários e o fim do fator previdenciário, pelo direito à terra, pela educação pública de qualidade e redução da jornada de trabalho. 


Por fim, afirmamos que não será com atitude oportunista e marqueteira que vamos construir uma nação igualitária.

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