Na CESP, estado de greve continua

23 agosto 14:55 2007

A pedido da direção da CESP, a Justiça do Trabalho espera a manifestação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) dentro do processo de dissídio coletivo que envolve a estatal e o Sinergia CUT. Por esse motivo, a audiência de instrução e conciliação, realizada na tarde desta quarta (22) no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região, em São Paulo, foi adiada por mais uma semana para viabilizar o comparecimento da PGE, responsável pelo gerenciamento de verbas do Estado de São Paulo.


Além de dirigentes e advogados do Sinergia CUT, estiveram presentes também representantes dos sindicatos de São Paulo e dos Engenheiros de SP. O Sinergia CUT informou à juíza sobre a suspensão da greve por tempo indeterminado na manhã da última terça-feira (21) e a manutenção do estado de greve em todo o interior, numa clara demonstração de que os trabalhadores estão dispostos a buscar uma solução negociada.


Durante a audiência, a juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva alertou que a próxima audiência, marcada para quarta-feira (29) da semana que vem, será a última tentativa de conciliação e que se não houver consenso entre as partes será marcada a data de julgamento do dissídio.


Estado de Greve  
Vale lembrar que, por 83% dos votos, os trabalhadores da CESP decidiram suspender a greve e manter o estado de greve para aguardar a tentativa de negociação em audiência convocada pela Justiça do Trabalho da 2ª Região. As assembléias ocorreram durante a manhã da última terça (21) em todos os  locais de trabalho.


A greve foi iniciada na manhã de segunda-feira (20) para pressionar a direção da estatal e o governo Serra a reabrir a negociação da Campanha Salarial. A paralisação foi aprovada por ampla maioria dos trabalhadores em assembléias realizadas pelo Sinergia CUT no último dia 13.


Na tentativa de mediar negociação entre os sindicatos e a direção da CESP e da EMAE para dar fim às greves por tempo indeterminado deflagrada pelos trabalhadores do interior de SP e de 24 horas na capital e litoral, a Justiça do Trabalho da 2ª Região convocou audiência de conciliação e instrução que começou na tarde da última segunda (20). O Sinergia CUT compareceu.


Liminar
Durante a audiência, o Sindicato tomou conhecimento de liminar que obriga a manutenção do ‘contingente mínimo (de trabalhadores) necessário à prestação ininterrupta dos serviços prestados à população, que não poderá ser inferior a 100% durante o período noturno e nos serviços de distribuição de energia para hospitais, escolas transportes e demais setores essenciais’. A liminar foi concedida ao sindicato de São Paulo na última sexta-feira (17) e estendida ao Sinergia CUT durante a audiência.


O Sindicato esclareceu que a paralisação dos trabalhadores da CESP no interior é por tempo indeterminado, mas que a greve ‘transcorre em clima de serenidade com todos os serviços essenciais sendo atendidos’.


Em seguida, a juíza propôs a suspensão da greve no interior para negociação entre as partes e foi informada que a sugestão deveria ser apreciada em assembléias e que a decisão seria dos trabalhadores.


Proposta e contraproposta
Depois de várias argumentações dos representantes das empresas e dos sindicatos, a juíza propôs então o pagamento da PRR com acréscimo de 20% em cima da folha de salário nominal.


O Sinergia CUT argumentou que o que está em jogo é mais do que a PRR: ‘Além do pagamento da PRR com base em todos os componentes de natureza salarial, os trabalhadores reivindicam reajuste salarial com aumento real e a vigência do Acordo Coletivo por dois anos, como é usual nos acordos anteriores’.


Sem autonomia para decidir, a CESP tinha até quarta (22) para reavaliar a proposta apresentada como final e rejeitada pelos trabalhadores. Mas só agora solicitou que a PGE participe do processo de dissídio, o que adiou a continuidade da audiência por uma semana.

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