Greve dos Correios: Paralisação nacional se fortalece de Norte a Sul do país

14 setembro 17:06 2007

Em 27 assembléias regionais realizadas pelo país, os trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) decidiram, na noite de quarta-feira (12), paralisar as entregas de correspondências por tempo indeterminado. O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, manifestou a solidariedade militante da Central e defendeu que o direito de greve seja garantido e que a empresa atenda aos anseios dos trabalhadores por justiça.


De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect/CUT), a categoria reivindica correção salarial de 47,77% – referente a perdas econômicas desde 1994 – e aumento real de R$ 200, como uma das formas de corrigir as distorções na ECT e beneficiar principalmente os menores salários. ‘A reivindicação de elevar o piso de R$ 524,07 para R$ 1089,48 é outra medida que visa diminuir o abismo salarial na empresa’, informou o Sindicato.


Ao todo, 108.659 mil pessoas trabalham na ECT, o maior empregador em regime CLT do país. Desse total, 56 mil recebem salários inferiores a R$ 800,00. ‘Estima-se que há um déficit de mais de 25 mil funcionários no quadro da ECT, principalmente no setor operacional. Os Correios aumentam a oferta de serviço, mas não há contratação efetiva proporcional à demanda, apesar dos concursos realizados recentemente. A empresa diz que o Ministério do Planejamento não autoriza mais contratações para não elevar a folha de pagamento. Em compensação, houve um crescimento de 11,7% na receita líquida da ECT em 2005-2006’, informa a Fentect/CUT.


Segundo o secretário geral da Fentect/CUT, Manoel Cantoara, cerca de 90% dos funcionários dos Correios são do nível básico, recebendo salário inicial de R$ 524,07, sendo a base da pirâmide formada por 53 mil carteiros. ‘Temos 33 sindicatos filiados à nossa Federação e 95% da área ocupacional paralisada, pois há distorções salariais muito grandes e que precisam ser revistas. A direção da empresa e o Ministério das Comunicações tem que abrir negociação e respeitar o direito de greve, que está ocorrendo para que seja garantida justiça’, afirma Cantoara, condenando a intransigência que busca derrotar o movimento com ajuizamento de dissídio coletivo e repressão. ‘O caminho é o diálogo’, sublinha.


Conquistas
Outro ponto importante para a entidade é a conquista da campanha do ano passado, quando os trabalhadores contratados após 1996 tiveram isonomia no pagamento do anuênio e da gratificação de férias. ‘Neste ano, queremos ampliar a isonomia no que diz respeito ao parcelamento do adiantamento de férias e à incorporação do GQP aos salários destes trabalhadores/as’, destaca a Fentect.


Entre os eixos da Campanha Salarial 2007/2008 estão a Implantação do PCCS já; adicional de periculosidade; segurança nas agências; licença maternidade de 6 meses e entrega de correspondências pela manhã.


No seu informe à categoria, o Comando Nacional de Negociação e Mobilização denuncia que ‘não foi possível até o momento demover a direção da ECT do seu ataque de maldades às conquistas históricas e às cláusulas do atual Acordo Coletivo de Trabalho’.


Segundo o Comando, ‘nada do que foi conversado com o presidente da ECT em relação a avanços em algumas cláusulas foi levado em consideração. Ou seja, o que se fala não se escreve. O alto escalão da ECT quer manter a todo custo a exploração salarial. No ano passado, o próprio ministro das Comunicações reconheceu que existe uma classe dentro da ECT que ganha muito bem e uma outra que está com seu salário defasado’.


Cláusulas
Além da negativa de reajuste, denunciam os trabalhadores, há inúmeras cláusulas que foram modificadas e retrocederam com relação ao atual acordo, como as seguintes:


Assistência Médica – Retira dependentes e não permite a inclusão de pai e mãe a partir deste acordo, e continua atrelando a assistência médica ao Manpes podendo modificá-lo a qualquer momento.


Reembolso creche – Garante apenas até a criança entre no Ensino Fundamental, não garantindo mais até os 7 anos.


Acompanhante – Garante apenas para parentes cadastrados.


Adiantamento de férias – Maiores de 50 anos não podem solicitar gozo de férias em duas vezes.


Ajuda de custo na transferência – Manteve o Manpes, diminuindo o período de trânsito de 15 para dez dias.


Auxílio para filhos dependentes, portadores de necessidades especiais – Modificada toda a cláusula, não observamos avanços.


Distribuição domiciliária – Modificou toda cláusula para pior


Fornecimento de CAT/Lisa – Praticamente torna inviável o fornecimento da mesma, garantindo apenas para quem for agredido em caso de assalto.


Liberação de dirigentes sindicais – Limita a 17 liberados por conta do Sindicato.


PLR – Mantém atrelamento à Lei 10.101.


PCCS – Não avança.


‘Durante todo o processo de negociação, este Comando tentou várias vezes abrir um canal de negociação com o ministro das Comunicações, com o ministro do Planejamento e Casa Civil. Infelizmente, não obtivemos nenhuma resposta. Diante disso, chamamos a construir a maior greve que a ECT já viu’. (Leonardo Severo)

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