Metalúrgicos: Dia Nacional de Luta pelo Contrato Coletivo de Trabalho

18 setembro 15:30 2007

Duzentos mil trabalhadores de 130 empresas metalúrgicas de 13 estados estão fazendo, hoje, 18 de setembro, paralisações de advertência como forma de pressionar pela conquista do contrato coletivo nacional de trabalho (CCNT). O CCNT tem como objetivo garantir pisos e jornadas iguais para os metalúrgicos de todo o país e também estabelecer o direito de organização a partir do local de trabalho. No ABC, os trabalhadores das montadoras aderiram em peso ao movimento e pararam a produção, nesta manhã, em até duas horas e meia na Volkswagen, Daimler (Mercedes Benz), Scania e Ford. Também ocorrerão paralisações em outros turnos.


Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez
Feijóo, ‘as condições diferenciadas de trabalho no país favorecem a
constante ameaça empresarial na mesa de negociação. A bancada sempre ameaça um grupo lembrando que, em outro lugar, os salários e os direitos são menores e as jornadas maiores. Temos que equilibrar as
relações e eliminar estas distorções regionais. Se a advertência de hoje
for insuficiente, discutiremos novas formas de luta e de pressão.’


O presidente da CNM- CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos),
Carlos Alberto Grana, que participou pela manhã da paralisação por cerca de duas horas na Daimler-Chrysler, em São Bernardo, no ABC Paulista, destaca três pontos da pauta de reivindicação dos metalúrgicos. ‘Exigimos um piso nacional único, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a unificação da data-base’, explica o dirigente. ‘Após as atividades deste dia, as entidades irão pressionar conjuntamente os sindicatos patronais para que atendam às reivindicações da categoria.’


O presidente da CUT nacional, Artur Henrique, avalia que ‘a luta dos
trabalhadores não acaba com a campanha salarial. Ela precisa continuar. Não podemos nos contentar com a situação atual que promove arrocho salarial e concorrência desleal entre estados.’


Para Edílson de Paula, presidente da CUTSP, ‘ O ato dos metalúrgicos,
hoje, em todo o país, em especial no Grande ABC é uma ação que integra a agenda da CUT. ‘A mobilização pela ratificação da convenção 158 da OIT para inibir as demissões imotivadas é um exemplo de reivindicação importante para todos os trabalhadores brasileiros’.


Pauta:
Contrato Coletivo Nacional de Trabalho: Atualmente, existem
enormes diferenças entre os trabalhadores do setor. Um metalúrgico do
ABC, por exemplo, ganha um salário mensal, em média, 470% maior que um trabalhador de Sete Lagoas-MG. Por outro lado, a pesquisa ”Do Salário às Compras”, realizada pelo Dieese, mostra que o custo de vida em todas as cidades brasileiras varia, no máximo, 8% acima e 7% abaixo do valor médio nacional. Daí, a necessidade de implantar o Contrato Coletivo Nacional de Trabalho, para eliminar as enormes distorções atuais. A fixação da data-base nacional para o mês de setembro também é uma bandeira histórica defendida pelos metalúrgicos da CUT. Hoje, as negociações acontecem, na diversas regiões do país, durante todos os meses do ano.


Redução da Jornada: A jornada semanal de trabalho está estipulada
em 44h semanais, mas a CNM/CUT defende que o trabalhador metalúrgico brasileiro trabalhe 40h por semana, sem redução de salários. Segundo a socióloga e técnica do Dieese, Adriana Marcolino, a jornada de 40 horas pode resultar em mais 135 mil postos de trabalho. Ela também estima que a criação de postos de trabalho poderia ser dobrada com a efetivação do controle de horas extras na indústria metalúrgica.


Queda da rotatividade da mão-de-obra: Entre os anos de 1997 e
2006, a média da rotatividade no setor metalúrgico ficou entre 25 e 30% dos trabalhadores. Em 2006, mesmo mantendo um saldo positivo (admissões menos demissões) de 70 mil vagas, o número de demissões (409.716) é muito alto. A média do tempo que um trabalhador permanece no emprego na Alemanha é de 10,4 anos e no Canadá são 7,8 anos Os dois países ratificaram a convenção 158 da OIT. Já no Brasil, esta média cai para 3,5 anos. Entre os metalúrgicos, metade não chega a completar 2 anos na vaga.


Por conta disso, os valores previstos pelo FAT (Fundo de Amparo ao
Trabalhador) para serem desembolsados pelo governo federal para o
pagamento do seguro-desemprego chegam a R$ 12,2 bilhões nas previsões para 2007 para atender cerca de 5,9 milhões de trabalhadores que deverão ser demitidos sem justa causa e com mais de seis meses de trabalho. Em 2006, os gastos foram de R$ 10,3 bilhões e a previsão para 2008 é que R$ 13,2 bilhões saiam dos cofres públicos para arcar com os custos da rotatividade de empregos feita por empresas privadas. Por isso, os metalúrgicos defendem a ratificação da Convenção 158 da OIT. (Krishma Carreira)

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