Terna faz segunda aquisição em um mês e compra Eteo

18 setembro 15:40 2007

SÃO PAULO – A Terna Participações, subsidiária brasileira do grupo italiano Terna, realizou ontem a maior aquisição do setor de linhas de transmissão entre grupos privados no país. Por R$ 562,2 milhões, a companhia arrematou 502 quilômetros de linhas da Empresa de Transmissão de Energia do Oeste (Eteo), que pertencia ao grupo americano Tyco International. As linhas estão em funcionamento desde 2001.


Com a operação, o grupo italiano amplia em 28% a sua rede de linhas de transmissão. ‘ Alcançamos 3,142 mil quilômetros de extensão ‘ , afirma Giovanni Giovannelli, diretor-geral da companhia no país.


Mas esse não foi o único movimento de compra que a Terna fez no Brasil em 2007. No fim de agosto último, a empresa adquiriu 186 quilômetros de linhas de transmissão junto à Goiana Transmissora de Energia (Gtesa) e a Paraíso Açu Transmissora de Energia (Patesa), pagando R$ 89,8 milhões pelos dois trechos. Portanto, em menos de 30 dias, o grupo italiano desembolsou R$ 652 milhões no Brasil.


O diretor-presidente da companhia italiana no país afirma que os pesados investimentos feitos recentemente não vão diminuir o apetite do grupo por outros negócios no Brasil. ‘ No momento, não precisaremos ir à bolsa de valores. Mas asseguro que não vamos parar por aqui ‘ , conta o executivo.


Presente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desde outubro de 2006, quando lançou ações no nível dois de governança corporativa, a Terna, inclusive, usará o caixa obtido com essa emissão para pagar parte da aquisição da Eteo.


Segundo Giovani Giovannelli, o caixa obtido com o lançamento dos papéis representará R$ 150 milhões dos R$ 562,2 milhões da operação. E o restante, portanto, deverá ser obtido por meio de financiamentos bancários.


‘ O uso desse caixa foi um compromisso assumido quando fizemos o lançamento dos papéis na Bovespa. E estamos cumprindo com isso. Além disso, temos condições de nos financiar no mercado ‘ , conta o executivo. De fato, a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida), segundo dados de 30 de junho deste ano, é de 1,6 vez.


Além disso, de acordo com o relatório de administração da Terna, a dívida líquida da empresa foi de R$ 785,7 milhões no ano passado. Isso, representou um recuo de 30,2% em relação aos R$ 1,12 bilhão de 2005. A queda se deveu ao aumento do caixa proveniente da parcela primária da oferta pública de ações, entre outras fontes.


A compra da Eteo, cujas linhas de transmissão interligam os municípios paulistas de Taquaruçu, Assis e Sumaré, ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mas isso é um procedimento natural dos negócios no setor de energia no país.


O fato é que a subsidiária do grupo italiano no Brasil terá um aumento substancial de receita com os últimos movimentos de aquisição. Juntas, Gtesa, Patesa e Eteo deverão acrescentar 20% à receita líquida anual da Terna Participações. Só para se ter uma idéia do que isso significa, em 2006 a empresa registrou um faturamento livre de impostos e tributos de R$ 500,4 milhões. Portanto, ao acrescer 20%, a Terna Participações deverá alcançar ao redor de R$ 600,5 milhões, fruto desses últimos movimentos. (Maurício Capela)

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