Brasil e Venezuela têm interesse em acordos na área energética, diz Lula

21 setembro 15:28 2007

BRASÍLIA – Durante encontro realizado nesta quinta-feira, em Manaus, os governos do Brasil e da Venezuela ratificaram o interesse dos dois países em intensificar acordos na área energética.


‘ Brasil e Venezuela ratificaram aqui os compromissos que tínhamos assumido há tempos atrás. Por problemas técnicos, nossos acordos andam mais devagar do que aquilo que Chávez e eu esperamos. Para nós, é extremamente significativa a parceria da construção de duas empresas mistas, uma no Brasil e outra na Venezuela, entre PDVSA e Petrobras. Com a construção desta parceria, estamos mostrando que é possível resolver os problemas energéticos dos países da América do Sul, que tem problemas energéticos e tem carências de petróleo, de gás ‘ , disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em declaração à imprensa, após encontro com o presidente venezuelano Hugo Chávez.


Integrantes dos dois governos voltarão a se reunir em dezembro, em Caracas, para assinar acordos na área energética. ‘ Iremos fazer todo o esforço para que Brasil e Venezuela possam se tornar cada vez mais países integrados. Temos mais coisas para fazer do que divergências para criar ‘ , acrescentou Lula.


O projeto das refinarias de petróleo Carabobo 1 e Abreu e Lima, o gasoduto do Sul e a produção de etanol foram temas da conversa dos presidentes dos dois países, que incluiu ainda comércio bilateral, cooperação técnica e Banco do Sul. A adesão da Venezuela ao Mercosul também fez parte da pauta do encontro, que ocorreu por sugestão do presidente brasileiro.


Chávez destacou a integração ao Mercosul: ‘ A Venezuela ratifica sua vontade de integrar-se plenamente ao Mercosul e, assim, desenvolvermos nossos países e a nossa integração sul-americana. O Mercosul é um começo para a integração sul americana ‘ , disse, também em declaração à imprensa.


Ainda em Manaus, o presidente Lula se reunirá com o presidente do Equador, Rafael Correa, para tratar do andamento de iniciativas bilaterais nas áreas de infra-estrutura, comércio, energia e cooperação técnica.


O intercâmbio comercial entre Brasil e Equador registrou, de 2003 a 2006, aumento de 141,6%, passando de US$ 375,75 milhões para US$ 909,89 milhões.


‘ Decidimos que Venezuela e Brasil vão fazer quatro reuniões por ano, duas na Venezuela e duas no Brasil, para que a gente não permita que os adversários da aliança estratégica Venezuela e Brasil interfiram nas nossas alianças com boatos. Os boatos serão dirimidos com a nossa conversa pessoal ‘ , disse Lula. O primeiro desses encontros está previsto para a primeira quinzena de dezembro, em Caracas.


Lula negou haver qualquer divergência entre ele e Chávez, e voltou a reafirmar o interesse do governo brasileiro de integrar, o quanto antes, a Venezuela ao Mercosul.


‘ Sabe, Chávez, em política, quando dois dirigentes passam muito tempo sem se encontrar, começa a surgir entre eles uma série de inquietações, de insinuações’, disse o presidente brasileiro diretamente ao venezuelano, no momento em que faziam uma declaração à imprensa. ‘As pessoas começam a falar em divergências, em disputas de lideranças. As pessoas começam a falar uma série de coisas que eu tenho a consciência de que não passam pela sua cabeça e não passam pela minha cabeça. É importante dizer que o Brasil está trabalhando, que o processo está no Senado, e nós esperamos que o mais prontamente seja votado para que a Venezuela seja definitivamente um país membro do Mercosul. ‘


Para a Venezuela se tornar membro definitivo do Mercosul, os Senados do Brasil e do Paraguai ainda precisam aprovar a sua adesão. Em julho, Hugo Chávez chegou a estabelecer um prazo fixo para que os Congressos dos dois países aprovassem a entrada da Venezuela no bloco econômico, afirmando que, do contrário, se retiraria do processo.


Em declaração à imprensa, o presidente Lula reforçou a importância de Brasil e Venezuela intensificarem suas relações: ‘ É importante que todos saibam que Brasil e Venezuela têm uma relação estratégica – estratégica por interesses geopolíticos, estratégicas por interesses econômicos, comerciais, de desenvolvimento, de investimento na área de ciência e tecnologia, até porque nós estamos convencidos de que a vida do povo da América do Sul e da América Latina só irá melhorar quando nossos países desenvolverem e tiverem riquezas para distribuírem para o seu povo ‘ .


Lula acrescentou, ainda, que tem na pessoa de Chávez um companheiro para os ‘ bons e os maus ‘ momentos. ‘ Para festejar as coisas boas e enfrentar as coisas difíceis. Porque nós sabemos que na nossa querida América Latina, e na nossa querida América do Sul, muitas vezes as pessoas não querem aceitar que exista um governo progressista, que exista um governo preocupado com as pessoas mais pobres. E eu estou convencido, Chávez, que essa aliança estratégica entre Brasil e Venezuela pode ajudar a Bolívia, pode ajudar o Paraguai, o Uruguai e o Equador, que são os países considerados mais pobres da nossa querida América do Sul ‘ , concluiu.

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