Sinergia CUT participa de ato contra a retomada da privataria em SP

09 outubro 17:19 2007

Trabalhadores de várias categorias reagem à intenção do governador de entregar CESP, EMAE e mais 16 empresas públicas


‘Não à MotoSerra tucana!’ foi a palavra de ordem que marcou a primeira manifestação de resistência que reuniu sindicalistas, trabalhadores e parlamentares em frente à sede da Secretaria Estadual da Fazenda, na manhã da última segunda-feira (08), em São Paulo. Promovido pela CUT e sindicatos cutistas, o Ato Contra as Privatizações do Governo Serra foi uma resposta imediata contra o anúncio do pacote de privatização do que restou do patrimônio público dos paulistas. A intenção do governo tucano é entregar 18 empresas públicas, incluindo CESP e EMAE, ao capital privado.


Tarifas sobem, qualidade cai
Durante o ato, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, lembrou que a justificativa do governo Serra é a mesma que o então governador Covas usou para dar início do Programa Estadual de Desestatização (PED), em 1995: ‘Diziam que a venda das estatais iria diminuir as dívidas do estado e melhorar os serviços públicos. Mas, após 12 anos, vemos que os serviços pioraram e as tarifas aumentaram’.


Artur Henrique, também dirigente do Sinergia CUT e liderança contra a privatização do setor energético em SP, ressaltou ainda que ‘já naquela época falávamos da suspeita de usarem as empresas como caixa de campanha e moeda de troca política’. E concluiu: ‘Por aqui, PSDB significa patrimônio sendo doado em troca de banana’.


Raquel Kacelnikas, do Sindicato dos Bancários de São Paulo, também acredita que a definição do valor das empresas é um passo rumo ao Planalto: ‘Se depender do governador, vale qualquer preço para se tornar presidente. Precisamos contar à população de São Paulo como o tucano financia obras como o Rodoanel com dinheiro de privatizações para gerar mais privatização, já que o Rodoanel também ficará nas mãos da iniciativa privada’.


Liminar da CESP
Na mesma manhã, dentro do prédio da Fazenda de SP, aconteceu a reunião da Comissão Julgadora da Concorrência para prestação de serviços de Avaliação (serviço A) e Avaliação, Modelagem e Execução de Venda (serviço B). A licitação para o serviço B foi suspensa por conta de recursos judiciais de algumas concorrentes. Foram abertos apenas os envelopes do serviço A, mas a classificação das consultorias vencedoras só serão divulgadas na próxima semana. Entre as concorrentes para avaliação estão a JP Morgan, o Banco Fator e a Ernest&Young. No grupo de modelagem de vendas, disputam Morgan Stanley, Citi Bank e Ernest&Young.


Wilson Marques de Almeida, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas e vice do Sinergia CUT, acompanhou a reunião de abertura de envelopes e informou oficialmente que ‘existe uma decisão da 25ª Vara da Justiça Federal, no processo 2001.61.00.012.996.8, do dia 22/05/2007, suspendendo qualquer processo de privatização da CESP – Companhia Energética de São Paulo, processo esse que a Fazenda do Estado desistiu de atuar’. 


Empresas estratégicas
Para Gentil Teixeira de Freitas, secretário geral do Sinergia CUT e trabalhador da CESP, ‘a  decisão de Serra de retomar a venda de empresas responsáveis pelo atendimento a demandas sociais é lamentável. Mas é só a continuação do jeito tucano de governar, rifando o patrimônio público estratégico para o desenvolvimento do estado e  transferindo para a iniciativa privada a responsabilidade de serviços públicos essenciais à população’.


Na mira tucana estão 18 empresas que prestam serviços públicos de energia, água, saneamento, transporte, pesquisa e tecnologia, entre outros. As empresas foram reunidas em três grupos, de acordo com o potencial de venda e valor de mercado.


No primeiro grupo estão a CESP, a Sabesp e a Nossa Caixa. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que negocia ações dessas empresas, estima um patrimônio somado de R$ 25 bilhões só nesse grupo.


No segundo grupo estão EMAE, Metrô, CDHU (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado de SP), CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) e Cosesp (Companhia de Seguros do Estado de SP. 


Nove empresas formam o terceiro grupo: CPP (Companhia Paulista de Parcerias), Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de SP), Imesp (Imprensa Oficial do Estado), EMTU/SP (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços), IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de SP), Codasp (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de SP) e Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano). Segundo cálculos de especialistas em mercado, a expectativa inicial do governo é alcançar cerca de R$ 30 bilhões. 

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