Greve no setor de transportes paralisa a França

19 outubro 09:37 2007

Uma greve nacional para protestar contra a reforma das aposentadorias especiais na França paralisou quase a totalidade dos transportes públicos do país nesta quinta-feira (18).


A mobilização é a primeira grande demonstração contra o governo do presidente Nicolas Sarkozy, que recentemente anunciou que irá aumentar o tempo de contribuição dos funcionários dos setores de transporte, gás e eletricidade dos atuais 37,5 anos para 40 anos.


O sistema de aposentadorias especiais beneficia 1,6 milhão de trabalhadores na França, o que representa apenas 6% das aposentadorias no país, mas custa aos cofres públicos cerca de 5 bilhões de euros por ano (cerca de R$ 13 bilhões). Na França, a aposentadoria especial é concedida a grupos específicos, que vão de ferroviários a atores da Comédia Francesa.


A greve desta quinta, que também inclui funcionários das estatais de gás e eletricidade, reduziu drasticamente circulação dos trens desde a noite de quarta-feira e deve ser normalizada somente na tarde desta sexta, segundo informou a direção da estatal ferroviária SNCF.


Dos 700 trens de grande velocidade (TGV), apenas 46, menos de 7%, devem circular hoje, segundo a SNCF.


Inúmeras linhas da malha ferroviária que circulam na periferia estão canceladas e nenhum dos trens que ligam Paris ao aeroporto Charles de Gaulle estão operando nesta quinta.


Em Paris, menos de 10% dos ônibus estão circulando e pouquíssimos trens estão operando nas 14 linhas de metrô da cidade, segundo a direção da estatal RATP. Apenas uma linha, totalmente informatizada, opera normalmente.


A paralisação está prevista para durar apenas um dia, mas três sindicatos já defendem sua extensão.


Para driblar a paralisação, muitos parisienses devem utilizar o serviço de bicicletas lançado pela prefeitura da cidade em julho, mas o número de bicicletas disponíveis (10,6 mil) não será suficiente para atender a forte demanda.


A reforma das aposentadorias especiais foi uma das promessas de Sarkozy durante a campanha presidencial.


O governo francês quer equiparar o sistema dos regimes especiais ao dos outros servidores públicos, que já assaram a trabalhar 40 anos, como no setor privado.


Com isso, passaram a ter direito a uma aposentadoria integral, como determina outra reforma feita em 2003.


Para o economista Thomas Coutrot, do Ministério do Trabalho na França, a iniciativa do governo de mudar o sistema de aposentadorias especiais é motivada mais por razões políticas do que econômicas.


‘O governo quer enfraquecer os sindicatos das estatais. Historicamente eles sempre foram o ponto forte de resistência às reformas neoliberais’, disse Coutrot. (BBC Brasil )

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