Dieese – Escolaridade e Trabalho: desafios para a população negra nos mercados de trabalho metropolitanos

21 novembro 18:35 2007

A baixa representatividade de negros nas escolas e universidades brasileiras evidencia a dificuldade de acesso e de permanência desta população nos bancos escolares. A educação tem papel não apenas na melhora da inserção no mercado de trabalho, mas também na formação dos cidadãos.


No mercado de trabalho, os indicadores têm mostrado a importância da escolaridade para a melhora na inserção no mercado de trabalho, na qualidade da ocupação e, principalmente, para a elevação dos rendimentos. No entanto, há ainda forte componente discriminatório que dificulta a inserção no mercado de trabalho e a ascensão profissional dos negros e faz com que a remuneração recebida por eles seja inferior a dos não-negros.


Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, no Brasil, na população de 10 anos ou mais, os negros possuem, em média, 5,9 anos de estudo e os não-negros, 7,7. Dos jovens negros de 18 a 21 anos que estudavam e trabalhavam, 17,4% cursavam o ensino superior. Entre os jovens não-negros na mesma faixa etária, a proporção era de 50,0%. Neste contexto, a introdução de cotas para alunos negros em universidades brasileiras se mostra oportuna, apesar da polêmica gerada em torno da questão. Essa política faria parte de um conjunto de ações afirmativas adotadas com intuito de eliminar desigualdades historicamente acumuladas entre negros e não-negros e criar a igualdade de oportunidades e de tratamento.


Estas questões são o tema do Estudos e Pesquisas 37 – Escolaridade e Trabalho: desafios para a população negra os mercados de trabalho metropolitanos, que o DIEESE divulga, na íntegra, em seu sítio na internet (www.dieese.org.br). Por meio dos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo DIEESE, Fundação Seade, MTE/FAT e convênios regionais em cinco regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) e no Distrito Federal, o estudo procura esclarecer algumas questões relevantes no debate sobre escolaridade e trabalho, entre as quais podem ser enumeradas: a) como está a escolarização da população negra? b) em que medida as maiores taxas de desemprego dos negros se explicam por diferenciais de escolaridade? c) como o aumento da escolaridade se reflete nos níveis de rendimentos de negros e não-negros?

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