Ministério Público dá prazo para a Elektro

23 novembro 18:38 2007

Procurador não vai permitir que Avaliação de Desempenho continue subjetiva e injusta


O Ministério Público do Trabalho não vai permitir que o processo de Avaliação de Desempenho (AD) da Elektro continue sendo subjetivo e injusto, o que não está fazendo bem aos trabalhadores. A afirmação é da PRT (Procuradoria Regional do Trabalho) de Campinas que apura as várias denúncias de pressão, intimidação e assédio moral encaminhadas pelo Sinergia CUT. Por isso, ao final de mais uma audiência – realizada na tarde da última quarta-feira (21) – entre dirigentes do Sindicato e representantes da empresa, o procurador deu prazo de quinze dias para que a Elektro comprove as mudanças que alega ter feito na AD 2007.


Depoimentos sigilosos
Já no início da reunião, o procurador informou que colheu ‘elementos de prova’ nos depoimentos sigilosos de vários trabalhadores, que confirmaram as denúncias do Sindicato, o que o levou à conclusão de que a AD tem servido para coagir e pressionar os trabalhadores a produzir muito mais a cada ano, para assim conquistar ‘um olhar melhor da empresa sobre eles’ e um melhor resultado na avaliação.


Na seqüência, a empresa  afirmou que busca aperfeiçoar anualmente o processo de AD e questionou a decisão do procurador de colher depoimentos de forma sigilosa, destacando ainda que as conclusões da Procuradoria poderiam ser resultado de uma impressão subjetiva das declarações dos trabalhadores. Ao final, a Elektro solicitou a quebra do sigilo, o que foi imediatamente negado pelo procurador.


Em resposta, o procurador também estranhou que a empresa ainda não tenha diagnosticado as injustiças denunciadas para o real aperfeiçoamento da AD e esclareceu que ouvir os trabalhadores sob sigilo é uma opção da PRT para assegurar a naturalidade dos depoimentos. Além disso, acrescentou que todas as denúncias são de conhecimento da empresa, que inclusive ‘já teve grande oportunidade de manifestação’.


Grande preocupação
Novamente, o procurador manifestou preocupação com o processo de AD da Elektro e perguntou o que está sendo feito para acabar com as avaliações subjetivas que resultam em injustiças. A advogada da empresa se limitou a afirmar que é difícil lidar com pessoas, já que não dá para agradar a todos, mas que o processo vem sendo aprimorado ano a ano. Outro representante da Elektro informou que a consultoria Price apenas forneceu o modelo de AD e que as revisões anuais são encaminhadas pela área de RH da empresa.


Questionada sobre a necessidade de mudanças, a empresa continuou afirmando que promoveu várias modificações na AD 2007, amplamente divulgadas em reuniões com os trabalhadores.


A intervenção do Sinergia CUT foi imediata: ‘Mais uma vez, o Sindicato sequer foi chamado a participar, mas os trabalhadores saíram dessas  reuniões relatando que nada mudou’.  O Sindicato reforçou que o atual processo de AD é um grande problema e uma enorme preocupação: ‘Os trabalhadores são induzidos a uma maior produtividade para o desenvolvimento de atividades de campo, em um setor em que o risco é constante e o trabalho por produtividade é condenado. Pior é que, caso o trabalhador não cumpra as ordens do chefe imediato, fica marcado para a próxima avaliação’.
 
Prazos
Ao final, o procurador determinou que a empresa apresente, em quinze dias, o material que comprove que houve mudanças na AD 2007 e concedeu outros quinze dias para manifestação do Sindicato sobre a documentação. Depois disso, a PRT convoca nova audiência para discussão de mudanças efetivas na sistemática da AD.

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