Cteep apresenta bons resultados após um ano de privatização

26 novembro 18:51 2007

Lucro aumenta em 53% e a empresa inicia expansão para fora das fronteiras de São Paulo. Presidente da companhia diz que crescimento será feito sem loucuras


A Cteep foi privatizada no ano passado pelo governo de São Paulo, sendo vendida para a empresa colombiana ISA. Após a aquisição, foram necessários um ano para adequar a empresa aos novos desafios. Agora, no primeiro ano fiscal sob nova direção, uma das prinicipais transmissoras do país começa a mostrar os primeiros resultados. O principal indicador da nova era é o lucro líquido que cresceu 53%, para R$ 558,5 milhões nos nove primeiros meses do ano.


‘O resultado dos três primeiros trimestres do ano é conseqüência da entrada de novas obras e da revisão tarifária, além da forte atuação na redução das despesas’, avalia Sidnei Martini, em entrevista à Agência CanalEnergia nesta segunda-feira, 26 de novembro. As despesas com pessoal caíram 35,2%, para R$ 166 milhões após a realização de um Plano de Demissão Voluntária, que teve a adesão de mais de 1,5 mil empregados. A empresa tem, atualmente, 1.382 funcionários.


Martini, no entanto, não descarta novos ajustes na folha de pagamento da companhia. ‘Ajustes nos quadros sempre são necessários, mas a parte substancial já foi feita’, observa. Com a estrutura reorganizada e enxuta, a Cteep partiu para a expansão fora das fronteiras do estado de São Paulo. A primeira investida vitoriosa foi a conquista do lote A no leilão de transmissão realizado no dia 7 de novembro. O lote é composto por duas linhas Colinas (TO)-Ribeiro Gonçalves (PI) e Ribeiro Gonçalves-São do Piauí (PI), ambas em 500 kV.


‘Estamos trabalhando agora na constituição da SPE (Sociedade de Propósito Específico) e nos preparativos para a obra’, conta Martini, que aguarda a assinatura dos contratos de concessão para iniciar o projeto. A Agência Nacional de Energia Elétrica tem um prazo de 60 dias após a homologação do resultado do leilão para realizar a assinatura, ou seja, até janeiro de 2008. Ele também não espera problemas no processo de licenciamento ambiental porque as linhas serão construídas ao lado de outras já existentes.


O executivo acredita que a empresa consiga realizar a obra por um valor menor que os R$ 471,2 milhões estipulados pela Aneel, o que também influenciou o deságio de 56,73% na Receita Anual Permitida, que ficou em R$ 28,94 milhões. ‘Como adquirimos grandes volumes e temos experiência, vamos buscar a redução do custo, o que contribuiu no deságio’, lembra Martini. A empresa vê boas expectativas também na consolidação do setor de transmissão nos próximos anos.


O presidente da Cteep confirmou que a empresa vêm prospectando o mercado atrás de boas oportunidades de negócio. Ele conta que uma peculiaridade das SPEs contribui para a movimentação vista nos últimos meses de aquisições e vendas de participação nos empreendimentos. ‘O blend ideal de uma SPE é formado por um operador, com visão de longo prazo; um construtor e um financiador. O construtor, por exemplo, tem interesse na obra e após a conclusão reduz o interesse. O que leva a essa movimentação de venda’, analisa.


Contudo, Martini diz que o crescimento da Cteep se dará de forma cautelosa para preservar os interesses dos acionistas e o orçamento para manutenção dos ativos existentes. ‘Não vamos fazer loucuras’, frisa. Ele vê o mercado de transmissão ainda com muitas oportunidades em aberto, principalmente, os grandes projetos de Tucuruí-Manaus-Macapá e de interligação das usinas do Rio Madeira, com possibilidade de leilão em 2008. Martini avalia ainda que a era dos grandes deságios está perto do fim.


‘Os valores dos deságios não mantém a rentabilidade que interessa aos investidores’, diz o executivo. Enquanto, novos projetos não aparecem, a Cteep planeja a manutenção dos ativos atuais. O plano de negócios da empresa para o triênio 2008-2010 prevê investimentos de R$ 1,340 bilhão para reforços e manutenção dos ativos. ‘Novos investimentos, como o lote A, não estão incluídos’, frisa Martini. Neste ano, a empresa tem investimento programado de R$ 523 milhões nesses quesitos.


Os altos investimentos têm mantido os índices de disponibilidade nos ‘mais altos níveis’ do país, destaca o executivo. As linhas de transmissão estiveram disponíveis por 99,99% do tempo, enquanto transformadores e reatores ficaram 99,95%. ‘São alguns dos melhores índices de continuidade dos serviços do país’, afirma Martini.


Para ele, a empresa manterá a relevância atual devido ao posicionamento no ‘coração’ do sistema de transmissão do país. A empresa transportou 130 mil GWh em 2006 através de suas linhas, que representam 20% do sistema nacional. ‘Vamos buscar o máximo de competitividade, sem destruir valores da empresa. Vamos buscar as oportunidades, mas preservando os acionistas’, conclui. (Alexandre Canazio)

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