ONS não vê mudanças significativas para reservatórios na semana de 12 a 18 de janeiro

14 janeiro 09:28 2008

O mês de janeiro já é o quarto pior do histórico da Média de Longo Termo desde que começou a ser medida há 77 anos, segundo análise da Ecom Energia


O Operador Nacional do Sistema Elétrico divulgou na sexta-feira, 11 de janeiro, a segunda revisão do relatório semanal de previsões de vazões do Programa Mensal de Operação. Segundo documento, a semana de 12 a 18 de janeiro não deve ser de alívio para os reservatórios já que as chuvas nas bacias hidrográficas das regiões Sul e Sudeste serão fracas. Com isso, a energia natural afluente dos rios do país ficarão abaixo das expectativas anteriores do Operador.


Segundo Paulo Toledo, diretor da Ecom Energia, o mês de janeiro já é o quarto pior do histórico da Média de Longo Termo desde que começou a ser medida há 77 anos. Contudo, ele não considera o mês perdido para a recomposição dos reservatório. ‘Temos ainda 20 dias para reverter essa situação com a entrada de chuvas’, diz. O executivo não acredita em racionamento, mas as chuvas terão que vir acima da média.


A região Sudeste, segundo a revisão do PMO, terá uma ENA de 30.559 MW médios, ou 58% da MLT, na próxima semana. Para o mês de janeiro, a expectativa do ONS é que o valor da ENA fique em 31.570 MW médios, ou seja, 60% da média histórica. Esta quantidade é 32% menor do que previsto inicialmente pelo PMO.


A situação não é nada animadora no Nordeste, onde a ENA da terceira semana de janeiro ficará em 3.968 MW médios, o equivalente a 28% da MLT. Para o mês, a ENA está prevista para ficar em 5.133 MW médios, 36% da MLT. O número é 31% abaixo da predição anterior.


A revisão da terceira semana traz uma ENA de 3.248 MW médios para os rios da região Norte. Já para o mês como um todo, a previsão é de 4.209 MW médios, ou 50% da média histórica. A situação no Sul do país é a mais confortável com uma previsão de que a energia natural afluente fique em 113% da média na próxima semana, chegando a 6.678 MW médios. O valor da ENA para janeiro deve ficar em 116% da MLT ou 6.878 MW médios.


A situação dos reservatórios aliada a pouca afluência está pressionando os preços do mercado spot. A energia que atingiu o valor máximo de R$ 569,59/MWh para a semana de 12 a 18 de janeiro não deve ceder tão cedo. De acordo com Toledo, a semana seguinte também não deve ver alívio no preço.


‘Não vejo perspectiva de mudança (no preço). Será necessário chuva abundante, como as trazidas pelas zonas de convergência’, observa. Com isso, o PLD deve fecha o ano com uma média superior ao do ano passado, que ficou em R$ 96,99/MWh.


Segundo ele, o cenário de deplecionamento dos reservatórios começou a se desenhar no segundo semestre do ano passado. Toledo conta que o governo está preocupado com a situação do Nordeste, que chegou a ficar abaixo da curva de aversão ao risco. O ONS, na época, determinou a transferência de energia das regiões Sudeste e Norte. ‘Chegamos em janeiro com os reservatórios do Sudeste deplecionados’, lembra. (Alexandre Canazio)

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