Firjan decide monitorar de perto abastecimento de gás natural

16 janeiro 17:47 2008

Entidade, que reuniu-se para analisar situação do insumo, não crê em racionamento de energia, mas vê necessidade de contigenciamento do gás
 
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro está monitorando de perto a situação do abastecimento de gás natural no país. Isso porque o estado é o segundo do país em consumo do combustível e as indústrias fluminenses têm pouca margem de manobra para substituí-lo.


Segundo Armando Guedes, presidente do Conselho de Energia da Firjan, foi detectado um potencial de conversão para outros combustíveis de 1,5 milhão de metros cúbicos por dia. A entidade também está preocupada com uma possível guerra nos tribunais entre estados e o governo federal para utilização do gás.


A Firjan realizou na última terça-feira, 15 de janeiro, uma reunião do conselho de energia com a participação do governo estadual, Petrobras, Ceg (companhia de distribuição de gás) e usuários. Na ocasião foram discutidas medidas que possam ser tomadas para evitar um possível contingenciamento do gás. ‘A questão tem que ser discutida no nível federativo e não dentro de tribunais’, afirma Guedes, lembrando de uma liminar que assegura o atendimento do mercado do Rio concedida depois da crise de outubro passado, que deixou posto de GNV e indústrias desabastecidos.


No diagnóstico, além de converter o consumo da indústria, a Petrobras disse que poderia fazer o mesmo com parte dos 9 milhões de m³/dia de consumo próprio. ‘Cerca de 70% do consumo próprio da empresa pode ser convertido para óleo diesel ou combustível. A Petrobras se comprometeu a estudar a possibilidade de ampliar a conversão’, observou Guedes, que é ex-presidente da estatal. A preocupação da federação é que caso seja necessário ampliar o número de térmicas a gás em operação não haverá combustível para todos os mercados residencial, indústrial, veicular e termelétrico.


Na análise feita da situação do abastecimento de energia elétrica no país, os especialistas constataram que a média de chuvas na primeira quinzena de janeiro foi a menor em relação a média dos últimos 10 anos. ‘As chuvas costumam menores nessa época, melhorando na segunda quinzena, mas este ano está ruim’, analisa. Apesar da análise, a Firjan não acredita em racionamento este ano porque ‘há medidas que podem ser tomadas antes’. Uma delas é o polêmico contigenciamento do gás natural para outros usuários desviando-o para as térmicas.


‘Se for necessário, o contigenciamento tem que ser discutido com os estados. Estamos de acordo de que a prioridade é o setor elétrico’, salienta Guedes, referindo-se as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o gás é para gerar energia. Para a Firjan, também é necessário agilizar o licenciamento ambiental de usinas a óleo combustível que estejam paradas por problemas relacionados a questão. (Alexandre Canazio)

  Categorias: