Cesp e Brasiliana estão na mira da Equatorial

19 fevereiro 13:39 2008

Carlos Piani, o presidente da holding que reúne os ativos de energia da Equatorial, tem planos audaciosos para 2008. Com o fim da reestruturação societária na holding, que culminou com a venda da participação do fundo GP Investimentos para o Pactual Capital Partners (PCP) por R$ 204 milhões no fim de 2007 e que deu à PCP o controle da companhia, Piani assegura que o momento é de investimentos. 


No planejamento desenhado pelo executivo há espaço para projetos de geração de energia e compra de ativos de distribuição pelo país. Mas existe uma boa chance mesmo de a Equatorial vir a fazer parte de consórcios que deverão disputar a privatização da Cia. Energética de São Paulo (Cesp) e os ativos da holding Brasiliana, cujas estrelas são a distribuidora Eletropaulo e a geradora Tietê. 


‘Estamos de olho na Cesp e na Brasiliana’, diz o presidente da Equatorial ao Valor. Piani afirma ainda que descarta fazer parte de consórcios que venham a disputar Jirau, a segunda hidrelétrica do rio Madeira. A previsão é que esta usina vá à leilão em maio próximo. 


Segundo relatório da Ativa Corretora, as mudanças recentes na Equatorial mostram que a empresa ou partirá para um movimento forte de aquisição no Brasil ou para uma saída da PCP do negócio de energia. Mas nem mesmo a Ativa acredita que a segunda opção seja viável. A própria corretora avalia que é certo que a Equatorial torne-se um jogador agressivo no setor. 


‘Gerar energia é uma estratégia de longo prazo. E no Brasil, existem oportunidades, porque o preço é crescente e há necessidade de novos projetos’, avalia a corretora. 


De fato, o setor de energia terá seus dias de volatilidade. Com regime instável de chuvas, principalmente nas áreas dos grandes reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, o preço do megawatt/hora no mercado à vista voltou a subir para a semana entre 16 e 22 de fevereiro. A cotação pulou de cerca de R$ 125 para 163,45 e, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que mede o indicador, a alta dessa semana foi motivada pela intensidade menor de chuvas para as regiões Sudeste, Sul e Nordeste. 


É justamente a geração de energia que encabeça o plano estratégico da holding. Hoje, a Equatorial não tem usina sob sua gestão. Seu único pé em hidrelétricas se dá por meio dos 13% que detém na Light, a distribuidora fluminense que tem capacidade instalada de 852 megawatts (MW). O outro ativo é a distribuidora maranhense Cemar, que não possui usinas. 


Sendo assim, Piani não nega que a opção primeira seria por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas térmicas a gás natural. E a atual falta de gás não atrapalha os estudos. ‘Deveremos ter uma posição mais clara ao longo do ano, mas nosso desejo é iniciar algum projeto em 2008’, conta. 


Na distribuição, a holding mantém o interesse nas distribuidoras federalizadas de energia, como a alagoana Ceal e a Cepisa do Piauí. Mas reconhece que não há movimento em direção à privatização. 


A boa notícia é que com a saída do GP, a Equatorial ficou livre para fazer qualquer aquisição no setor de distribuição no país. Antes, havia um acordo entre PCP e GP, que basicamente ‘impedia’ o primeiro de fazer movimentos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto que o GP não se movimentava em direção ao Sul e Sudeste. (Maurício Capela)

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