Olarias correm o risco de fechar por falta de argila

03 março 13:54 2008

Atividade emprega mais de 300 pessoas e foi afetada pelo alagamento


A Cesp enfrenta um novo problema social em Mato Grosso do Sul. Uma atividade econômica que emprega mais de 300 pessoas e produz mais de 4 milhões de tijolos cerâmicos para construção corre o risco de parar por falta de argila em Brasilândia (MS). O alagamento da região do Rio Paraná obrigou o assentamento dos oleiros nas proximidades da foz do Rio Verde. Todos foram levados para uma vila batizada de Porto João André, a cerca de 10 quilômetros de Brasilândia. Além da realocação das famílias, a Cesp instalou 33 olarias perto do novo bairro.


A Cesp se comprometeu a entregar uma cota de 11 mil metros cúbicos de argila a cada oleiro. Pelos cálculos da companhia, o volume seria suficiente para a produção durante oito anos. Uma solução provisória, até o licenciamento de uma jazida definitiva de onde os oleiros poderiam extrair a própria argila. As estimativas foram erradas. O maquinário cedido pela Cesp consumiu mais do que o previsto do barro armazenado, e em dois anos a principal matéria-prima acabou.


Desde então, as famílias são obrigadas a comprar a matéria-prima, enquanto aguardam a regularização de uma jazida para a extração do barro. O problema é que uma das reservas disponíveis está localizada numa área de proteção ambiental e o restante foi alagado pela Usina Porto Primavera, exatamente onde as famílias estavam.


A escassez da matéria-prima provocou a alta do preço do barro. ‘Comprava argila a R$ 3,50 o metros cúbico. O preço agora não é inferior a R$ 10. Ter uma jazida própria agora se tornou uma questão de sobrevivência’, diz Marco Antonio Porto, membro da segunda geração de oleiros e proprietário da Cerâmica 4 Irmãos Porto. Só a olaria de Marcos emprega oito pessoas, entre os quais Edvaldo de Souza Marques, um dos empregados contratados para levar os tijolos para dentro do forno e tirá-los depois de 36 horas.


‘É um trabalho duro, corrido, mas não tem muita alternativa na região que me dê uma renda de R$ 1.000 por mês’, pondera. Morador do assentamento Porto João André, Marques sustenta um casal de filhos.


As incertezas em relação ao futuro sem a principal matéria-prima levaram o setor oleiro de Brasilândia a organizar uma caravana para reforçar a mobilização de amanhã na Assembléia Legislativa sul-mato-grossense. Os oleiros querem o compromisso de que os controladores assumirão a responsabilidade de encontrar e licenciar uma jazida para a manutenção da atividade econômica local.


A mobilização não é a única medida. Algumas cerâmicas ingressaram na Justiça para assegurar o acesso a uma jazida de argila. Maria Conceição da Silva Gomes, líder dos oleiros de Brasilândia, entrou com um novo processo contra a Cesp há 15 dias. ‘Estou pedindo a jazida de argila que foi prometida e até agora não licenciada.’

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