Subestações de transmissão de energia serão vistoriadas

06 março 15:26 2008

Secretaria estadual criou grupo de trabalho para investigar segurança do sistema de distribuição


A falha na Subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), que deixou anteontem 2,7 milhões de pessoas sem luz em 21 bairros, provocou reação imediata no governo do Estado. Na manhã de ontem, a Secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo formou um grupo de trabalho para investigar ocorrências nos últimos três anos na Cteep e na Eletropaulo. ‘É uma medida que visa a verificar se os sistemas de distribuição e transmissão de energia da cidade é seguro’, diz a secretária, Dilma Pena.


Serão investigadas as 23 subestações de transmissão de energia da Cteep em toda a região metropolitana de São Paulo. ‘O problema de ontem (anteontem) chamou a atenção do governo para a situação da transmissão de energia no Estado. O grupo de trabalho ajudará na apuração’, explica a secretária. Os primeiros resultados serão encaminhados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e devem sair em 15 dias.


Segundo a secretária, a capacidade do sistema de transmissão do Estado também será investigado pelo grupo. ‘Depois do incidente, disseram que falta manutenção nos equipamentos e que o sistema está no limite. Agora, o intuito é tirarmos a prova do que realmente é verdade’, afirma Dilma.


O diretor de Operações da Cteep, Celso Cerchiari, afirmou ontem ao Estado que o sistema ‘opera dentro dos limites do aceitável’. ‘Sempre vai haver demanda de mais investimento para expansão das linhas, em função do crescimento das cidades e da carga necessária’, diz.


Para ajudar na redistribuição da energia no Estado, Cerchiari afirma que a Cteep tem planos de construir subestações em 2009 e 2010. ‘O próximo edital para leilão deve ser publicado ainda neste semestre, para construirmos mais três subestações’, diz. A companhia informou que R$ 400 milhões são investidos anualmente em expansão e modernização dos sistemas e em melhorias no fornecimento de energia. Segundo o diretor, as cidades que podem abrigar as novas subestações são Piratininga, Lins e Mirassol, no interior do Estado.


O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo diz que o problema na transmissão de energia não é por baixa capacidade, mas por ineficiência na manutenção. ‘Mas, para provar isso, seria necessário ver todos os relatórios de vistoria, se é que eles existem’, diz o vice-presidente da entidade, Carlos Alberto Reis. ‘O registro de falhas na transmissão de energia está abaixo dos parâmetros do sistema interligado brasileiro’, rebate Cerchiarini.


A queda de energia de terça-feira foi provocada por uma descarga elétrica interna que desligou um disjuntor de alta tensão de um dos transformadores da subestação Bandeirantes, na zona sul. O problema começou às 8h45, com uma explosão, e foi solucionado às 9h37, com o redirecionamento da energia de uma área não afetada para a zona sul da cidade.


Relatório detalhado do incidente será entregue à Aneel até amanhã e o laudo completo com análise do equipamento será concluído em 17 de março. O disjuntor que apresentou problemas será trocado no fim de semana – a peça reserva custou cerca de R$ 700 mil. (Vitor Hugo Brandalise)

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