Trabalhadoras energéticas: uma história de luta pela igualdade

11 março 15:52 2008

As trabalhadoras das empresas de energia elétrica e de gás canalizado – que também escrevem uma história de luta e conquista em um setor até pouco tempo dominado pelo masculino – serão duplamente homenageadas pelo Sinergia CUT pela passagem do 8 de março. Em todos os locais de trabalho espalhados pelo estado de SP, as trabalhadoras energéticas receberão um calendário especial de mesa que destaca o mote da CUT deste ano e as datas comemorativas das lutas das mulheres em todo o mundo.


Além disso, o Sindicato presenteará as trabalhadoras com mudas e sementes de plantas, que variam de ornamentais até medicinais ou especiais para tempero, dependendo da programação específica de cada uma das dez macrorregiões da entidade. Na capital, por exemplo, o Sinergia CUT conseguiu doação de plantas medicinais e temperos do Parque Vila Lobos.


Homenagens especiais devem acontecer também em Campinas, reunindo mulheres da ativa e aposentadas na tarde desta sexta-feira (07), e em Praia Grande, com um baile na noite de sábado (08) na Colônia de Férias lotada.


Em todas as cidades paulistas, o Sinergia CUT participa ainda dos atos promovidos pela CUT através das macros da Baixada Santista, Bauru, Campinas, Ilha Solteira, Ribeirão Preto, Rio Claro, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, São Paulo e Vale do Paraíba. Para homenagear a garra, a disposição de luta e a energia de ser mulher.


Uma história de conquista…
A história dos energéticos também é marcada pela atuação de mulheres em busca de igualdade de direitos. 1987 é um marco na história dos eletricitários e gasistas com a conquista do Sindicato dos Eletricitários de Campinas e do Sindgasista pelas oposições da CUT, dando início à democratização das entidades e à renovação da política sindical que abre espaço à participação das mulheres inclusive na direção das duas entidades. Dentre as várias conquistas, vale destacar a eleição da primeira mulher eleita pelos trabalhadores para o Conselho de Administração das Empresas de Energia de SP, em 1991.
 
Com a criação do Sinergia CUT, em 1997, esse espaço de atuação vem sendo ampliado com a participação decisiva de mulheres em vários cargos de direção, dentro e fora das entidades, contribuindo para a conquista de mais e melhores benefícios, inclusive para os homens que hoje compartilham as tarefas domésticas e a criação dos filhos.
 
A luta do Sinergia CUT continua em torno de quatro eixos de atuação:
– garantia de igualdade de acesso das mulheres ao emprego, aos cargos e salários e à capacitação profissional: remuneração igual para trabalho igual, eliminação do trabalho feminino, participação igualitária de homens e mulheres em trabalhos especializados e postos de direção
– por garantias aos direitos reprodutivos: licença maternidade de 180 dias e licença paternidade de 15 dias, estabilidade no emprego na gestação, pós-parto, puerpério e em caso de aborto, licença maternidade para adotante, entre outros
– por creches, direitos das crianças, segurança no trabalho para mães e pais: auxílio creche para trabalhadoras de todas as empresas e extensivos aos pais, auxílio natalidade para mães e pais, auxílio para filhos e filhas com necessidades especiais
– por saúde física e mental no local de trabalho: prevenção de câncer de mama e do colo do útero, com exames gratuitos e orientação preventiva      


… e de luta do Sinergia CUT
Assim como mulheres e homens conscientes, o perfil da categoria energética também está mudando, ainda que lentamente. Reconhecido como predominantemente masculino, nos últimos anos o setor energético começa a ser descoberto pelas mulheres como uma opção profissional no mercado de trabalho.


Em 2004, dados do Dieese já apontavam que mais de três mil mulheres estavam trabalhando nas áreas administrativa, técnica e operacional das empresas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Está mais fácil também encontrar técnicas gasistas e mulheres em cargos de chefia nas empresas de distribuição de gás canalizado. São eletricistas, técnicas, auxiliares, psicólogas, assistentes sociais, engenheiras, médicas, gerentes, diretoras, dentre outras funções.
 
Mas as mulheres ainda são minoria nas empresas energéticas. Na CPFL, por exemplo, do total dos trabalhadores, apenas 15,6% são mulheres. Na Eletropaulo, esse número é um pouco maior: 19,5%. Já na Elektro, elas somam 15,5% dos trabalhadores. E é rara a presença das mulheres em cargos de direção ou gerência. Os números também são de 2004.


Além de aumentar a participação delas no quadro de pessoal, o Sinergia CUT reivindica  mais presença feminina nos cargos de direção. Sem falar na equiparação salarial com os homens, uma vez que, ocupando o mesmo cargo, a mulher chega a ganhar 30% menos.


Por isso, além de parabenizar as mulheres pelo seu dia especial, o Sinegia CUT convida a todas para participar da luta contra as diferenças de gênero, pela igualdade de direitos e pelo reconhecimento da indiscutível capacidade e competência feminina. Uma luta que é dos homens e das mulheres que constróem o Sinergia CUT.


25 anos construindo a CUT
Nesses 25 anos de  CUT, homens e mulheres foram construindo uma nova história de luta pela igualdade através do debate constante de uma política de gênero que tem como principal objetivo organizar as mulheres no âmbito dos sindicatos, sensibilizando trabalhadores e trabalhadoras para a superação das desigualdades entre mulheres e homens no mundo do trabalho e na sociedade em geral.


Até hoje, essa política de gênero articula os temas gerais de atuação da Central com os temas específicos das mulheres, com foco na igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, tanto nas políticas públicas quanto nas relações de trabalho, a partir de cinco eixos de atuação:
v Combater todas as formas de discriminação na sociedade, no mundo do trabalho e no movimento sindical,
v Intervir nas políticas públicas,
v Organizar as mulheres na CUT,
v Fortalecer a interface com todas as políticas e projetos da CUT e
v Fortalecer a articulação com o movimento sindical internacional, movimentos sindicais e ONGs na defesa dos direitos das mulheres.


Mais: desde 2004, a CUT desenvolve o projeto Políticas de Combate à Violência Contra a Mulher no Trabalho, com o objetivo de contribuir para a implantação de políticas públicas de proteção à mulher.


Atualmente a Central realiza a campanha Violência Contra a Mulher: Tolerância Nenhuma articulada com as CUTs Estaduais, Confederações, Federações e sindicatos. Sinergia CUT presente.

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