Cresce ceticismo em relação ao leilão de privatização da Cesp

24 março 13:46 2008


O leilão de privatização da Cia. Energética de São Paulo (Cesp), marcado para o dia 26, daqui a uma semana, corre o risco de fracassar. A CPFL, uma das cinco pré-qualificadas, deu indicações de que não pretende apresentar proposta, nem mesmo como parte de um consórcio. O ceticismo em torno da venda só tem crescido nos últimos dias, uma vez que até agora o governo paulista não conseguiu obter do governo federal uma indicação de que as concessões das usinas de Jupiá e Ilha Solteira serão renovadas em 2015, quando vencem.


As duas hidrelétricas são responsáveis por 67% da capacidade de geração da estatal. O preço mínimo por ação fixado em R$ 49,75, no entanto, não embute esse risco regulatório. Pelo modelo atual, uma concessão só pode ser renovada uma vez, o que já aconteceu com as duas usinas. Depois a concessão teria que voltar ao governo federal para novo leilão, pelo preço mais elevado. A quebra da regra, para favorecer a atual concessionária, pode ser considerada inconstitucional, segundo fontes do mercado.


Ainda assim, na semana passada, o governador José Serra reuniu-se com o presidente Lula para pedir a renovação das concessões . Saiu com a promessa de que uma brecha legal seria analisada. Mas, caso houvesse uma modificação, novo edital teria que ser publicado e o leilão ocorrer 30 dias depois.


Apesar do risco de ver o leilão fracassar, o governador José Serra não contempla o seu cancelamento ou adiamento. Mas já tem um plano B: fazer uma oferta pública das ações que excedem o controle da Cesp. O governo detém 132,967 milhões de ações, entre ordinárias e preferenciais classe B. Poderia vender cerca de 78 milhões e ainda manter o controle. Supondo uma cotação de R$ 40 por papel, a operação renderia R$ 3,1 bilhões. Para incentivar a adesão, seria garantido aos minoritários o direito de receber 100% do prêmio de controle pago em futura privatização. Essa venda em duas etapas poderia render ao governo paulista valor muito próximo do preço mínimo de R$ 6,6 bilhões do leilão de quarta.


Nas últimas semanas, era dada como certa a criação de consórcio entre CPFL, Tractebel, do grupo Suez, e Neoenergia. Mas a formação foi desfeita. A CPFL deu sinais de que não fará oferta. Também se pré-qualificaram para o leilão a Energias do Brasil e a Alcoa. Envolvidos no processo crêem em apenas um consórcio, num cenário otimista. A Cemig vem mantendo conversas com os pré-qualificados, apesar da limitação de participação de estatais estaduais no processo. (Vanessa Adachi e Maurício Capela)

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