Trabalhadores mostram novamente repúdio a Emenda 03

24 março 16:08 2008

Em atos convocados pela CUT e por outras centrais, centenas de milhares de trabalhadores de todo o país mobilizaram-se nesta terça-feira (23/4) em apoio à manutenção do veto presidencial à emenda 3. Trabalhadoras e trabalhadores dos mais diversos ramos e regiões saíram às ruas para dizer a não esta emenda golpista, que tenta acabar com os direitos trabalhistas como 13º salário, férias remuneradas, licenças maternidade e paternidade, FGTS, vale-transporte, vale-refeição, assistência-médica e aposentadoria.


Em São Paulo as manifestações começaram ao amanhecer. Na capital foi realizado um dos principais atos do dia, iniciado às 5h, na estação de metrô Corinthians-Itaquera. Representantes das centrais, lideranças dos metroviários, e dos motoristas e cobradores de ônibus promoveram um atraso de duas horas nas operações das linhas de metrô e de ônibus em toda a cidade, alertando a população sobre as conseqüências desastrosas da emenda para a classe trabalhadora.


No Rio Grande de Sul, cerca de 50 mil trabalhadores cruzaram os braços em protesto contra a emenda, com grandes atos em Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas.


Para Artur Henrique, presidente nacional da CUT, ‘a capacidade de nossa militância e das entidades filiadas à CUT em promover em pouco mais de 10 dias duas grandes mobilizações nacionais, não deixa dúvida do quanto a emenda 3 é indesejada pela classe trabalhadora. Através dessas mobilizações, estamos também furando o cerco que a imprensa tem imposto ao tema para confundir a opinião pública. Quando paralisamos e fazemos mobilizações de rua, estamos informando a população sobre o perigo representado por essa emenda criada por parlamentares. Dessa forma, ganhamos a adesão de trabalhadores, mesmo daqueles que não são sindicalizados. Outro dado importante é que a CUT, central mobilizadora por excelência, mostra por meio das paralisações que o povo na rua faz diferença’, ressalta.


Veja abaixo como foram as mobilizações nos estados:


São Paulo


Metroviários e Condutores
Na capital, foi realizada manifestação conjunta das 5 às 7h na estação do metrô Corinthians-Itaquera, linha da zona leste de São Paulo responsável pelo maior fluxo de passageiros da capital. Os representantes das centrais sindicais se somaram às lideranças dos metroviários e dos motoristas e cobradores de ônibus para explicar à população que chegava as conseqüências desastrosas da emenda para a classe trabalhadora.


Bancários de São Paulo, Osasco e Região
Muitos trabalhadores, aposentados, desempregados, terceirizados e estudantes enviaram nesta segunda-feira, 23 de abril, mensagens aos deputados e senadores cobrando a manutenção do veto presidencial à Emenda 3. No ato promovido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região foram disponibilizados cinco computadores – instalados em frente à sede da entidade na Rua São Bento – entre 12h30 e 14h30, que serviram de canal de comunicação entre a população e os parlamentares no Congresso Nacional. ‘Todas as pessoas que participaram da nossa atividade, tomaram consciência dos riscos que a Emenda 3 representa aos direitos essenciais dos trabalhadores. Muitos expressaram sua indignação, por meio de mensagens aos parlamentares, à tentativa de destruir conquistas históricas como FGTS, férias, 13º salário, descanso semanal remunerado, licença-maternidade’, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato.


Gasistas
Em São Paulo, capital, centenas de gasistas atrasaram em duas horas a entrada na Galvão Engenharia, no Pari, e na Sanear, no Belenzinho. Dirigentes do Sindgasita-CUT distribuíram informativos e alertaram os trabalhadores sobre os riscos da emenda 3 à população, caso o veto não seja mantido.


Energéticos
O Sinergia-CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo) organizou manifestações nos locais de trabalho das empresas CTEEP, CESP, Elektro, AES Tietê e CPFL, nas macrorregiões São Paulo, Bauru, Campinas, Rio Claro, Ribeirão Preto, Ilha Solteira e São José do Rio Preto.


Em Presidente Prudente, Vale do Paraíba e Santos, foram feitas paralisações na cidade juntamente com outras entidades sindicais durante uma hora.


Além de alertar os trabalhadores sobre o estrago que a Emenda 3 pode causar à população, durante as mobilizações o Sinergia – CUT realizou também assembléias para discussão da Campanha Salarial 2007 e de problemas específicos das empresas.


Petroleiros
Em Paulínia, os petroleiros paralisaram as principais refinarias, das 7 às 8h30, em protesto contra a emenda. Os trabalhadores aproveitaram para cobrar da Petrobrás a implementação urgente do novo plano de cargos e salários (PCAC), em discussão desde 2003.


Sorocaba
Dezenas de lojas e bancos das principais ruas do centro permaneceram de portas fechadas entre 8h e meio-dia desta segunda-feira (23) em protesto contra a Emenda 3. A paralisação organizada pela CUT, outras centrais e por mais de 30 sindicatos da região mobilizou cerca de dois mil trabalhadores,. A manifestação mobilizou cerca de dois mil trabalhadores, que seguiram em passeata até a Pça. Cel. Fernando Prestes, onde aconteceu um ato público comandado por sindicalistas e lideranças políticas que explicaram à população os riscos da Emenda 3 à classe trabalhadora.


Metalúrgicos do ABC
Houve entrega de panfletos contra a emenda 3 no centro de Diadema e nos terminais de ônibus de Piraporinha (Diadema) e São Bernardo.


Papeleiros
A CUT Regional Vale do Paraíba e o Sindicato dos Papeleiros de Jacareí realizaram ato na porta da empresa Votorantim Celulose e Papel, com participação de representantes do Sindicato Nacional dos Papeleiros, Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes e Região e sindicatos de outras categorias. Houve também um ato público na praça central de Jacareí (SP) , com a presença de sindicalistas e lideranças políticas da região.


Químicos
Os Sindicatos Químicos ligados à CNQ-CUT realizaram panfletagem nas portas das fábricas.


Rio Grande do Sul
As manifestações convocadas pela CUT e demais centrais mobilizaram cerca de 50 mil trabalhadores de diversos ramos em todo o estado.
Em Porto Alegre, metalúrgicos, sapateiros, telefônicos, bancários e outras categorias participaram pela manhã de ato público em frente ao Laçador, das 7 às 9h. Os manifestantes distribuíram panfletos e se utilizaram de carro de som para alertar a população sobre a importância da manutenção do veto à emenda 3. Após o ato, os metalúrgicos foram para as fábricas em que trabalham em passeata.
Em Caxias do Sul e em Pelotas, metalúrgicos e trabalhadores de outros ramos ‘trancaram’ as principais avenidas e ruas em protestos contra a emenda 3.



Paraíba
Na capital João Pessoa, foi realizada audiência pública na Câmara Municipal, transmitida ao vivo pela TV Câmara, com participação de cerca de 200 pessoas.
De acordo com a assessoria de imprensa da CUT-PB, a Câmara aprovou a indicação dos deputados federais de manter o veto à Emenda 3. O ato durou duas horas e contou com panfletagem nas mediações.


Minas Gerais
Em Belo Horizonte, pela manhã, houve manifestação promovida pelo Sindicato dos Bancários, na Rua da Bahia, esquina com Rua Goitacazes. Às 15h, os manifestantes fizeram ato e panfletagem na Pça. Sete, no centro.
Em Betim, às 13h, foi realizado ato público no bairro Jardim Piemont.
Em Juiz de Fora, também ocorreu ato público no calçadão do Parque Halfeld, em frente ao Banco do Brasil, a partir de 16h.
A CUT/MG produziu o material distribuído à população, contendo explicações sobre os riscos da emenda 3 ao trabalhador, e os nomes de todos os deputados federais de Minas que votaram contra ou a favor da emenda.


Bahia
Na Bahia, químicos, petroleiros e petroquímicos fizeram paralisações na BR 324, das 6 às 9h, em Via Parafuso e Trevo da Resistência. Ao todo cerca de seis mil  trabalhadores diretos e terceirizados das empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari  e das unidades da Petrobrás participaram da atividade. Trabalhadores dos ramos da construção civil, limpeza, têxtil, alimentação e metalurgia também participaram dos protestos. Na parte da tarde, foi realizado ato na Pça. da Piedade, no centro de Salvador.


Ceará
Trabalhadores de diversas categorias manifestaram à porta da Federação das Indústrias no Estado do Ceará (Fiec).


Pernambuco


O protesto pela manutenção do veto à emenda 3 ganhou música de forró entre os bancários pernambucanos. A versão da música ‘Na emenda’, do Trio Nordestino, já tinha sido levada à manifestação na Caixa Econômica, dia 10 de abril. Nesta segunda (23), foi a vez do prédio da agência centro do Banco do Brasil. O trio de forró pé-de-serra chamou a atenção dos clientes, que paravam para escutar os dirigentes e para ler o jornal informativo produzido pela CUT, com alertas sobre os riscos da emenda 3 à classe trabalhadora.


Mato Grosso
A CUT-MT, representantes da Federação dos Bancários do Centro-Norte, Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários (Seeb-MT), Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional do Estado do Mato Grosso (Senalba/MT), realizaram ato e panfletagem na Praça Ipiranga , a partir das 16h.

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