Lobão: sem térmicas, economia seria de R$ 400 mi/mês

28 março 16:53 2008

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que o desligamento das usinas térmicas representaria uma economia de R$ 400 milhões mensais, mas isso não deve ser repassado imediatamente ao consumidor. ‘Não contemplamos a hipótese do repasse ao consumidor.


Mas se ocorrer, só será feito às contas no final de 2008, e mesmo assim será imperceptível’, comentou.


Ontem, o ministro afirmou que, apesar de os reservatórios das hidrelétricas estarem próximos de seu limite, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) só deverá decidir se desligará as térmicas na próxima reunião que ocorre em 15 dias. Hoje, segundo ele, estão sendo gerados 5 mil megawatts (MW) em energia termelétrica.


Na reunião, o comitê decidirá se desliga todas de uma só vez, ou apenas as que são movidas com óleo, o que reduziria a energia gerada por essas unidades para a metade do total.


Ainda segundo o ministro, com os reservatórios cheios o Brasil demonstra que está com condições de cumprir o acordo para exportação de energia à Argentina, num total de 400 MW. A exportação aconteceria entre os meses de maio e julho. Em contrapartida, a Argentina enviaria os mesmos 400 MW ao Brasil entre setembro e novembro.


Indagado sobre o risco de a Argentina não ter condições de cumprir o acordo, Lobão apenas afirmou que tudo estará devidamente acertado e em contrato. ‘Se houver o absurdo de a Argentina não cumprir, estará prevista uma multa’, disse.


Concessões


O ministro comentou ainda que no caso da renovação das concessões das hidrelétricas às empresas públicas – como a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) ou Furnas, por exemplo – o governo vai fazer valer o que está na lei, ou seja, só haverá a prorrogação de uma concessão uma vez. No caso do término da vigência da segunda concessão, essas hidrelétricas voltam ao governo, que as licitará novamente.


A indefinição na prorrogação das concessões foi um dos motivos apontados pelos investidores como fator de insegurança que contribuiu para o fracasso do leilão da Cesp esta semana.


‘Não é uma decisão do governo. Vale o que está na lei, seja para uma empresa pública ou privada. Estamos estudando caso a caso de prorrogação e como consentimos o adiamento do fim do prazo para a usina de Porto Primavera, isso sinaliza que poderá acontecer o mesmo com a usina de Três Irmãos (ambas da Cesp)’, disse.


Ele comentou ainda que o outro fator apontado pelos investidores para o fracasso do leilão – a influência do mau momento da economia internacional – é ‘descabida’. ‘Estamos recebendo no Ministério dia após dia investidores estrangeiros interessados no Brasil. A americana Duke Energy, por exemplo, esteve lá esta semana falando que quer fazer grandes investimentos aqui. O setor elétrico não está sendo atingido pela crise internacional’, disse.

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