Isa Cteep estuda disputar linhão do Sistema Isolado

31 março 10:03 2008

Lotes da LT Tucuruí-Macapá-Manaus serão ofertados no leilão que acontece no dia 27 de junho. Empresa analisa parcerias, segundo Sidnei Martini


O leilão de transmissão programado para o dia 27 de junho trará um grande desafio para os agentes do segmento. Serão leiloados três trechos do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus com 1.826 quilômetros de extensão de linhas, que vão atravessar rios e florestas para conectar os principais mercados da região Norte ao Sistema Interligado Nacional. Para efeito de comparação, os 12 lotes do leilão vão ofertar 3 mil km de linhas, ou seja, a obra responderá por mais da metade da oferta.


A Isa Cteep, provavelmente, será uma das empresas que vai disputar os três trechos do linhão. ‘Estamos analisando todos os lotes do leilão para decidir a forma de participação no leilão: se sozinhos ou em consórcio’, afirma Sidnei Martini, presidente da companhia, dizendo ainda que as definições podem sair nas próximas semanas. O executivo explica que o linhão é uma obra de alto risco devido aos desafios técnicos, como torres com 280 metros de altura. ‘Elas estão fora dos padrões’, completa ele. Por isso, para este caso, a empresa já decidiu entrar em consórcio.


A previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica é que os investimentos nos 12 lotes chegue a R$ 2,86 bilhões. As obras devem durar entre 15 e 36 meses, sendo os três lotes do linhão – A, B e C – os com maior duração. A receita anual permitida máxima é R$ 398 milhões, mas o vencedor de cada lote será o que oferecer a menor RAP. Os lotes do linhão respondem por R$ 294,26 milhões.


Os lotes E e H também estão na mira da Isa Cteep por serem consideradas pela empresa obras emergenciais. O objetivo da empresa é construir três subestações ofertadas nesses lotes: Piratininga II, do lote E, e Mirassol II e Getulina, do lote H. Segundo Martini, as obras são importantes para suportar o crescimento da demanda no mercado do estado de São Paulo. Os lotes incluem ainda a linha Interlagos-Piratininga II, em 345 kV e 1,5 quilômetros, no caso do E; e a subestação Araras 440/138 kV, no H.


A empresa vêm fazendo gestões junto à Agência Nacional de Energia Elétrica e à secretaria estadual de Energia e Saneamento de São Paulo para retirar, pelo menos, a Piratininga II da licitação para iniciar as obras imediatamente. ‘Piratininga precisa ser iniciada imediatamente. O ONS já se manifestou a favor da construção da obra’, explica Martini, acrescentando que a empresa tem os recursos e os projetos prontos para a execução da obra.


As subestações Mirassol II e Getulina são importantes porque vão colaborar no seccionamento das linhas de transmissão que permitirão o acesso das usinas de cana-de-açúcar, que vão fornecer energia ao sistema a partir da cogeração com a queima do bagaço. ‘São 3 mil MW sendo oferecidos em cogeração que precisarão de reforços para atender essa carga’, observa Martini. Ele disse que essas obras têm condições de início imediato se forem concedidas a Isa Cteep através de autorização ao invés de leilão. (Alexandre Canazio)

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