Lodo da flotação é cinco vezes maior que na Capital

01 abril 19:30 2008

Maior empecilho para EIA-RIMA é destinação do lixo retirado do Pinheiros


O promotor José Eduardo Ismael Lutti, do Ministério Público do Meio Ambiente de São Paulo, afirmou na sexta-feira (28/03), durante audiência pública promovida pelo deputado estadual Donisete Braga (PT) para discutir a flotação do rio Pinheiros, que o lodo que será gerado pelo processo é cinco vezes maior que a produção desse tipo de lixo hoje em toda a cidade de São Paulo. Para o promotor, esse é o maior desafio que o governo do Estado tem pela frente para terminar o estudo de impactos ambientais sobre o processo: ninguém sabe o que fazer com os dejetos.
 
‘Talvez esse material possa ser usado na construção civil ou incinerado para gerar energia. Ainda é preciso discutir muito bem o que fazer’, avalia Lutti. O governo do Estado iniciou os testes da flotação no ano passado, mas foi impedido pelo Ministério Público, que queria mais informações sobre os danos ambientais que a prática causaria à represa Billings.


A previsão para o fim dos testes é para 2011 – data em que o processo já poderia funcionar plenamente. ‘Uma grande vitória nossa foi fazer com que o governo incluísse no relatório de impacto ambiental as informações sobre o lodo. Antes, eles queriam fazer um estudo em separado’, diz Lutti.


A flotação é um processo de purificação de águas contaminadas que o governo do Estado quer aplicar no rio Pinheiros para poder bombear constantemente a água do rio na represa Billings. Hoje, a água é bombeada apenas quando há risco de enchente.


Com o aumento da água no reservatório, a usina hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão, alimentada com água da Billings, poderia chegar a uma produção de 70% de sua capacidade total de geração de energia (hoje, a usina produz cerca de 20% do que poderia).


O medo de ambientalistas da região é que o processo não retiraria da água metais pesados e substâncias cancerígenas presentes na poluição do Pinheiros, materiais que acabariam na água que abastece as torneiras de seis das sete cidades do ABCD, com exceção de São Caetano. ‘Essa é uma reclamação ultrapassada. Há dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) que sugerem que não há tantos metais pesados assim no rio’, argumenta o engenheiro João Carlos Gomes de Oliveira, da empresa responsável pela operação da flotação.


Oliveira também advoga a incineração do lodo como solução mais viável para o excesso de dejetos, mesmo que a queima do lixo também seja um processo poluente.


Informação – Grande parte das reclamações apresentadas pela população que assistiu à audiência foi em relação à falta de informações sobre a flotação: não existe, no site da EMAE (Empresa Metropolitana de Água e Energia do Estado) ou do Ministério Público, links com informações sobre o processo. O interessado precisa agendar visita, pelo telefone 5613-2330, a uma sala de alta segurança da EMAE para poder checar dados sobre os testes da flotação.
 
‘O ideal seria que o cidadão tivesse essas informações na internet, compilados e traduzidos de forma compreensível, com as conclusões apresentadas de forma clara’, sugeriu Marussia Whately, coordenadora do ISA (Instituto Socio-ambiental). Antônio Bolognesi, diretor de geração da EMAE e também participante da audiência, não deu nenhuma indicação de que esses dados serão disponibilizados para o público.


Participaram ainda do evento os deputados Rui Falcão, Adriano Diogo e Antônio Mentor, todos do PT, além de Chico Sardelli (PV). (Diego Sartorato)

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