Suspeita de irregularidades entre governo do Estado e a Alstom

19 maio 18:06 2008

Assessores da Bancada do PT na Assembléia Legislativa realizaram uma pesquisa junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e constatou que há, pelo menos seis, contratos julgados irregulares entre o governo do Estado e a empresa francesa Alstom, que totalizam R$ 1,378 bilhão. São eles: Metrô (R$ 180,7 milhões); CPTM (R$ 1,1 bilhão); e CESP (R$ 21,3 milhões).


Em entrevista coletiva, os deputados do PT mostraram, em 15/5, que a multinacional firmou 139 contratos com o governo paulista, no período de 1989 a 2007, que totalizam R$ 7,6 bilhões, quando atualizados pelo IGP-DI.


De 1993 a 2003, período que as polícias da França e Suíça estão investigando a suspeita da Alstom ter pago propinas para ganhar licitações, foram firmados 96 contratos que somam R$ 5,2 bilhões. Os contratos são com as empresas Metrô, CESP, CPFL, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp.


‘Nós estamos evidentemente adotando procedimento de investigação, de requerer apreciação da Assembléia, de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, para que autoridades sejam convocadas e prestem esclarecimentos à população da cidade de São Paulo’, disse o deputado estadual Roberto Felício (PT), líder da bancada petista.


Duas investigações sobre a atuação da Alstom no Brasil começaram nesta semana. O Ministério Público Federal apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas.


Já a promotoria de São Paulo procura irregularidades em negócios feitos entre a multinacional francesa e quatro empresas, além das que já estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas. São elas: Sabesp, Dersa, Eletropaulo e Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP).


Nas próximas semanas, a Procuradoria de Justiça da Suíça vai enviar ao Brasil relatórios com as investigações feitas na Alstm sobre a suspeita de pagamento de propinas para fechamento de contrato em vários países.


O Ministério Público vai investigar 30 contratos em São Paulo assinados desde 1990. ‘As informações disponíveis até agora são no sentido de que a Alstom pagou propina para funcionários públicos estaduais e é isso que vamos investigar’, declarou o promotor de Justiça Sílvio Marques.


Para o líder do PT, ‘é dever constitucional dos deputados fiscalizar e investigar o poder Executivo; nesse sentido, vamos conclamar todos os deputados da Casa para assinaram o pedido de CPI’. Ele ressaltou que há uma orientação clara do governador para que os deputados da base governista não assinem pedidos de CPIs.

  Categorias: