‘Lutar, unir, para a jornada reduzir!’

28 maio 14:52 2008

Essa foi a palavra de ordem durante manifestação das centrais sindicais no centro de SP para condenar jornada extensa e estafante


‘Este ato unificado é um exemplo de solidariedade, de luta de classe, pois muitas das categorias aqui reunidas têm garantidas em lei ou acordo coletivo a sua jornada reduzida. Mas a grande maioria da classe trabalha enfrenta jornadas extensas e estafantes de até 12 horas por dia, apesar dos enormes avanços de produtividade registrados nos últimos anos. Hoje, os empresários produzem o dobro com metade do número de trabalhadores. Este ganho de produtividade precisa ser dividido com a sociedade, com os trabalhadores, reduzindo a jornada sem reduzir os salários. É isso o que estamos reivindicando nas ruas de todo o país neste 28 de maio, Dia Nacional de Mobilização e de Luta’.


Com esta afirmação, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, encerrou a concentração realizada na manhã de hoje na Praça Ramos, centro da capital paulista, comandando a passeata até a frente da multinacional C&A, símbolo da ganância com base na exploração da mão-de-obra comerciária. De acordo com Artur, enquanto a empresa holandesa paga PLR e aplica jornadas dignas no seu país, aqui no Brasil nega direitos, ampliando seus lucros fazendo os comerciários trabalharem de pé por 8, 10, 12 horas diárias.


‘Estamos unidos pela ampliação de direitos, pela ratificação das Convenções 151 – que garante o direito à negociação coletiva no setor público – e 158 – que põe fim às demissões sem justa causa -; pelo fim do fator previdenciário, medida colocada por Fernando Henrique para reduzir as aposentadorias. Nossa pauta é a do crescimento com desenvolvimento social, com geração de renda e valorização do trabalho’, sublinhou Artur.


Na porta da C&A, todos os presidentes de centrais desceram do caminhão em solidariedade a Artur, que recentemente passou por uma cirurgia no fêmur esquerdo e que, em fase de recuperação, não podia subir. O empenho do líder cutista foi saudado pelo presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, que frisou ‘o compromisso deste eletricitário, que colocou com clareza quais as necessidades do nosso povo e qual a luta da nossa categoria’. A multinacional C&A, denunciou Patah, foi escolhida como alvo do nosso protesto pois é a empresa símbolo, ao lado do Wal Mart, de práticas anti-sindicais, e que agora anda dizendo para os funcionários que a redução da jornada traria desemprego. Isso é mentira, pois vai trazer emprego, educação e cidadania para todos’.


Na avaliação do presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, ‘este é um dia histórico, pois a classe trabalhadora dá uma demonstração de unidade, que é fundamental para dizer ao Congresso Nacional e ao governo que é preciso reduzir a jornada para 40 horas semanais’. ‘As empresas cresceram 360% nos últimos anos, o lucro dos bancos foi de janeiro de 80% até agora e a remessa de lucros chega a dezenas de bilhões. O trabalhador exige a sua parte no crescimento’, acrescentou.


O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, declarou que com o crescimento econômico do último período e a ação unitária do movimento sindical brasileiro, foi possível garantir uma política de valorização do salário mínimo e o reajuste da tabela do Imposto de Renda. ‘Agora, nós vamos para a ofensiva. É hora da regulamentação da Convenção 151 da OIT, garantindo data-base para os trabalhadores do setor público, e da Convenção 158, que coíbe as demissões no setor privado. É hora de reduzir a jornada, de garantir direitos, de ir para frente’, ressaltou.


Para o vice-presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, a manifestação conjunta das centrais ‘ traça o rumo estratégico do sindicalismo brasileiro: força, coesão, a partir da nossa unidade. Isso é fundamental para o avanço da nossa luta e das conquistas e serve de alerta para o Congresso Nacional’.

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