CS 2008: rejeitada proposta da AES Tietê

18 junho 09:31 2008

O Sinergia CUT rejeitou a proposta apresentada pela AES Tietê na terça-feira (17), durante a terceira rodada de negociação da Campanha Salarial 2008, em São Paulo. Uma nova rodada está marcada para quarta-feira (25) da semana que vem.


A empresa propôs reajuste salarial de 5,41% para os salários até R$ 6 mil. Para os salários acima desse valor, haveria apenas um acréscimo de um valor fixo de R$ 330. Além de discriminar os trabalhadores pelo salário que ganham, a proposta está aquém da reivindicação, que é de 4,95% mais 5,4% de aumento real.


Outro ponto polêmico da proposta diz respeito à redução no vale alimentação e no vale refeição. Com o argumento de unificar os benefícios das empresas do grupo, a AES Tietê propôs nivelar por baixo os valores nominais, reduzindo de R$ 601 para R$ 396.


Para o Sindicato, ‘na tentativa de suavizar a maldade’, a empresa propôs a inclusão de alguns itens em um eventual acordo, com a implantação de um auxílio-deficiente (apenas três trabalhadores fariam uso do benefício), auxílio para filhos deficientes. Além disso, vale-alimentação nas férias de R$ 253,50, pago somente uma vez no ano, VA adicional de R$ 90, com participação de 20% dos trabalhadores.


Somando os benefícios de alimentação, os trabalhadores receberiam R$ 468. Adicionando o valor diluído, mês a mês, do ‘vale-férias’ (R$ 253,50), o total seria de R$ 489. Levando em conta os R$ 601 que são recebidos hoje, seriam incorporados R$ 112 aos salários.


Apesar de incorporar a diferença aos salários, a AES Tietê sequer cogitou reajustar os benefícios antes de incorporá-los, levando-se em conta que a inflação de 14,72% nos alimentos nos últimos 12 meses.
Também na tentativa de amenizar, a empresa propôs reajustar o auxílio creche, que passaria de R$ 249,96 para R$ 390, levando em conta que nos últimos três anos não foi utilizado por nenhuma trabalhadora da empresa.


A empresa também não considerou as reivindicações da pauta entregue pelo Sindicato, tais como: vigência do ACT, redução da jornada, bolsa de estudos, aumento no quadro mínimo, fim da rotatividade, AMH, abono e alteração significativa na gratificação de férias.


Para o Sinergia CUT, ‘a proposta se torna mais absurda se for levado em conta que os dividendos da empresa aumentaram cerca de 20% nos últimos anos e os custos operacionais foram reduzidas, de 3,68%, em 2003, para 2,79% em 2007. Mais grave ainda, se for levado em conta o contrato bilateral com a Eletropaulo, que vai até 2015 e garante à Tiete uma condição especial, e lucro acima da média, no setor elétrico.’


Plano de luta
Caso a empresa não apresente uma proposta que atenda às reivindicações da categoria, os trabalhadores deverão aprovar em assembléia a realização de mobilizações pipoca em todas as usinas, a partir do dia 30.

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