1.º de maio: Redução da Jornada Sem Redução de Salário

30 junho 10:34 2008

Ministros e parlamentares reforçam apoio à luta da CUT. Artur citou a qualificação como uma das vantagens da jornada de 40 h


Nem mesmo o tempo frio e o céu nublado impediram que os paulistanos participassem da festa do Dia Internacional dos Trabalhadores da CUT-SP, que reuniu cerca de 500 mil pessoas no autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo. Outras duas comemorações da Central, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo e em Guarulhos, na Avenida Joaquim de Jesus, receberam mais de 20 mil pessoas.


O Prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, esteve em Interlagos pela manhã, ao lado do Secretário Estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Afif Domingos.


Kassab elogiou a receptividade da CUT (‘desde o início do meu mandato sempre compareci às festas e sempre fui bem recebido’) e tratou relevância da comemoração (‘é um momento de agradecermos ao trabalhador por sua contribuição para o desenvolvimento’).


Ele comentou ainda a principal bandeira do movimento sindical em 2008: a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário. ‘É uma luta específica de cada setor, porém, muito importante e muito necessária.’


Presidente da CUT-SP, Edílson de Paula, comentou a importância da reflexão sobre a trajetória dos trabalhadores. ‘O 1.º de maio é uma data para avaliarmos as conquistas que obtivemos como a política de valorização do mínimo, o reconhecimento das centrais, o envio ao Congresso, por parte do presidente Lula, das Convenções 151 e 158, mas principalmente para exercemos nossa responsabilidade política e conscientizarmos todos os brasileiros sobre a necessidade de trabalharem menos para que todos trabalhem’, acrescentou.


No Paço de São Bernardo, além de lideranças locais, o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior, estiveram presentes. Em Guarulhos, a Deputada Federal, Janete Pietá, e o Deputado Estadual, Sebastião Almeida, prestigiaram o evento.


CUT, Marta, Lupi e parlamentares
No período da tarde, a festa da Central Única dos Trabalhadores-SP recebeu o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, a Ministra do Turismo, Marta Suplicy, o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e parlamentares.


Artur citou a qualificação dos trabalhadores como uma das vantagens da jornada de 40 horas semanais. ‘Muita gente diz que é preciso qualificar os trabalhadores, mas como vamos fazer isso se trabalham oito horas por dia, fazendo três horas extras e demorando duas horas para chegar até o emprego? Redução de jornada é mais tempo para a família, para o lazer e também para qualificação’.


A ministra Marta lembrou os avanços país sob a gestão do presidente Lula. ‘Hoje é um dia que podemos comemorar com alegria porque há muito tempo os trabalhadores não desfrutavam de mais empregos e inflação controlada. Não podiam planejar a compra de celular e a troca de televisão. Hoje, até o turismo virou realidade. Nesse momento, há muita gente saindo da pobreza e entrando na classe média graças ao presidente operário que conseguiu transformar esse país em potência’, ressaltou.


Para o ministro Lupi, é preciso unificar empregadores e empregados para aprovar a redução no Congresso. ‘Estamos em reunião permanente com os empresários para encontrar um caminho que beneficie os trabalhadores. Além disso, os partidos trabalharão para que as bancadas votem a favor da redução da jornada’, disse. O representante do executivo destacou a necessidade da união dos movimentos sociais organizados. ‘Essa questão será discutida no Congresso e só a organização garantirá a vitória’, acrescentou.


Além de lembrar as origens do 1.º de maio – que remete à redução do número de horas trabalhadas – e a Constituição de 1988, que fixou a jornada semanal em 44 horas, o Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, afirmou que o ambiente econômico do pais é apropriado para a reforma. ‘O período de grande desenvolvimento econômico e social pelo qual passa o Brasil faz com que repensemos a relação de trabalho no país. Encaro com otimismo a possibilidade da PEC 393 ser aprovada. Se as centrais atingirem o objetivo de coletar cinco milhões de assinaturas no abaixo-assinado pela redução da jornada, demonstrarão que há uma base social para a aprovação’, disse.


Inclusão e shows
No meio da platéia, o cadeirante Isaías Dias, coordenador do Coletivo Estadual de Trabalhadores Com Deficiência da CUT-SP e membro do Coletivo Nacional de Trabalhadores Com Deficiência da CUT, colhia assinaturas para o abaixo-assinado pela Redução da Jornada Sem Redução de Salário. Com um rádio na mão, ele auxiliava também na recepção a outros deficientes. ‘Esperamos hoje, ao menos 15 companheiros que terão acesso facilitado ao local e ao palco, com rampas e outros mecanismos à disposição’.


Sobre o palco, uma intérprete de Libras (linguagem de sinais) traduzia para o público as letras das canções e os discursos.


A sambista Leci Brandão abriu a série de shows, por volta do meio dia. Entre sambas de raiz, questionou um incidente que marcou a Virada Cultural, maratona artística que a prefeitura de São Paulo organizou na cidade nos dias 26 e 27 de abril. ‘Por que somente o pessoal que foi assistir rap e hip hop foi revistado pela polícia? Isso é preconceito’, criticou.


Após Leci, Mate Quente, César & Paulinho, Tradição, André e Renato, Meninos de Goiás, Saia Rodada, Só Modão, Beto & Marcio, Banda Domínio e César Menotti & Fabiano apresentaram-se.


Um dos momentos mais emocionantes da festa aconteceu às 17h, na abertura do ato político. Sob regência do maestro João Carlos Martins, a Orquestra Bachiana Jovem executou o hino nacional, cantado por todos os presentes.


Guilherme & Santiado, Leonardo, Pedro & Tiago e Daniel, juntos, encerraram o dia de comemoração e reflexão.

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