CUT promove seminário para Avançar Rumo à Liberdade e Autonomia

04 julho 16:15 2008

De 15 a 17 de julho, a CUT – Central Única dos trabalhadores -, em parceria com a CGIL (Confederazione Generale Italiana Del Lavoro) realiza em São Paulo o Seminário ‘Organização Sindical – Avançar rumo à Liberdade e Autonomia e Organização no Local de trabalho/OLT’.


O seminário objetiva aprofundar a reflexão sobre o princípio da liberdade e autonomia sindical visando atualizar a estratégia e encaminhar ações concretas para a consolidação do projeto sindical CUTista a partir da organização nos locais de trabalho (OLTs). A proposta é debater experiências, ampliar as que já existem em alguns ramos e em alguns sindicatos para o conjunto da CUT e, principalmente, resgatar a bandeira pela ratificação da Convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que é a liberdade e autonomia sindical ampla defendida pela CUT desde seu nascimento.


‘Temos que aproveitar o momento de reconhecimento das centrais sindicais, conscientes de que este é um primeiro passo para a mudança da estrutura sindical brasileira e continuarmos a luta para que esta mudança continue, especialmente, nos aspectos que a CUT defende desde sua fundação’, diz Artur Henrique, presidente nacional da CUT.


‘Portanto, há necessidade de darmos continuidade a este processo de mudança, principalmente, no que diz respeito à democratização das relações de trabalho, à assinatura e ratificação pelo Brasil de várias Convenções importantes da OIT e ao debate sobre liberdade sindical a partir do local de trabalho, ou seja, precisamos retomar os princípios que fundaram a CUT, debatendo com o conjunto de nossos sindicatos, federações e confederações, a necessidade de fortalecer cada vez mais a estrutura sindical cutista’, reforça Artur.


A parceria com a CGIL, central sindical da Itália – país que desde a década de 1940 tem a Convenção 87 da OIT ratificada, bem como a participação de entidades convidadas como a própria OIT e a CSA (Confederação Sindical das Américas), valorizam ainda mais o debate. No caso da CGIL, que é uma entidade que acompanha a história da organização dos trabalhadores no Brasil, tanto da CUT quanto do Partido dos Trabalhadores, a apresentação de suas experiências de organização sindical, de negociação coletiva contribuirá para o avanço das discussões na CUT.


A atividade integra as ações de 25 Anos da Central Única dos Trabalhadores e marca a reafirmação da luta pela democracia, liberdade e autonomia sindical dentro do novo contexto político, de crescimento econômico e de reorganização do movimento sindical que apontam para novos desafios e definições de estratégias de enfrentamento para o próximo período.


‘O mundo do trabalho sofreu diversas mudanças. Hoje temos variadas formas de contratação no mesmo local de trabalho – terceirizados, temporários, CLTistas – e ao mesmo tempo, um momento político onde temos o reconhecimento das centrais sindicais no Brasil’, relata Denise Motta Dau, secretária nacional de Organização da CUT. ‘No campo macro conseguimos o reconhecimento jurídico e legal, como uma figura que negocia em nome da classe trabalhadora questões de interesse geral. Porém, do ponto de vista de uma democratização da estrutura sindical brasileira nos moldes que a CUT historicamente defende, onde a organização no local de trabalho é um ponto estratégico, ainda temos um grande distanciamento’, aponta a secretária.


Para Denise, algumas questões merecem destaque no Seminário: Nos dias de hoje, qual é o desenho de OLT que a CUT quer? Neste momento em que a CUT completa 25 anos de vida, qual é o papel que a OLT desempenha para a CUT? Uma organização sindical que visa negociar em nome dos trabalhadores no local de trabalho temas específicos deve está vinculada ao sindicato ou pode ser uma organização independente do sindicato onde os trabalhadores autonomamente no seu local de trabalho se organizam para ter essa representação? ‘A CUT persegue o direito de organização no local de trabalho, sendo que em alguns ramos de atividade, principalmente nos maiores sindicatos, esse direito foi conquistado. Porém, atualizar o desenho e o papel da organização no local de trabalho, repensar a estratégia cutista de mobilizar, organizar, articular os trabalhadores e as trabalhadoras a partir do local de trabalho são desafios deste seminário’, afirma.


‘As mudanças são visíveis em todos os setores. Exemplo disso é que neste atual cenário há uma retomada das greves, inclusive na iniciativa privada, onde durante muitos anos quase não existiam, e de um ano e meio pra cá, tivemos mais trabalhadores em greve na iniciativa privada do que no serviço público’ destaca Quintino Severo, secretário geral nacional da CUT. ‘Portanto, isso demonstra um cenário de mobilização de trabalhadores, de participação muito maior da classe trabalhadora em função da conjuntura econômica e das condições de crescimento que o Brasil apresenta. É um momento favorável para a ampliação de conquistas, para ratificação da Convenção 87 da OIT, que constrói o caminho para a liberdade e autonomia sindical, da livre organização dos trabalhadores. Este Seminário visa retomar a discussão da campanha pela ratificação da Convenção 87 criando condições de aprofundar o debate e implementar ações que levem a consolidação e a implantação da convenção no Brasil. Esperamos que este evento seja realizado com muita energia, com vontade e participação ativa de nossas entidades’, declara.


‘Este é um momento muito propício para esse seminário, esperamos que tenhamos uma participação efetiva de nossos sindicatos, federações e confederações, da própria direção da CUT e das CUTs estaduais para que possamos sair da atividade com uma série de propostas e implementarmos este processo de fortalecimento da estratégia e da organização sindical cutista’, finaliza Artur.

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