Mais um protesto unificado agita a sede da CPFL Energia

15 julho 19:21 2008

Na manhã desta terça (15), novo ato para pressionar a reabertura da negociação. Porque a gente vale mais


O Sinergia CUT participou de mais um ato unificado que reuniu dirigentes de todos os sindicatos, federações e centrais sindicais que estão na Campanha Salarial da CPFL Energia e que vêm buscando a reabertura imediata da negociação. O décimo ato de protesto desta quarta semana de manifestações conjuntas aconteceu na manhã desta terça-feira (15), na sede da CPFL, em Campinas.


Com faixas e bandeiras, dezenas de manifestantes conversaram com os trabalhadores em todas as entradas do edifício-sede logo no início do expediente, passando um abaixo-assinado que reivindica que a CPFL Energia reabra a negociação interrompida depois que os sindicatos rejeitaram a última proposta das empresas.


Prática autoritária
Para enfrentar a manifestação pacífica e ordeira, a direção da CPFL recorreu ao estilo antidemocrático com um forte aparato de segurança terceirizada, incluindo ronda da Polícia Militar, na tentativa de intimidar sindicalistas e trabalhadores. Já no portão principal, um segurança contratado filmou os trabalhadores com a clara intenção de pressionar a entrada ao trabalho.


De cima do carro de som, sindicalistas mandaram vários recados ao presidente e à direção da holding. ‘Estamos aqui para chamar a atenção da empresa para que aprenda a tratar os trabalhadores com o mínimo de respeito que eles merecem em uma Campanha Salarial. Falam tanto de respeito à vida humana mas praticam uma política de recursos desumanos’, alertou o locutor.


Durante o ato, que durou mais de uma hora, os dirigentes sindicais se alternaram para denunciar o impasse provocado pelos negociadores da holding: ‘Não foram os trabalhadores que radicalizaram. Foi a direção da CPFL que radicalizou’. 


A proposta apresentada pela empresa na última rodada, e rejeitada na mesa pelos sindicatos, é considerada discriminatória e divisionista. ‘Os trabalhadores querem reajuste de 6,8% para todos, abono de R$ 300 pago no VR, mais que o 1,11% do Resultado do Serviço para pagamento da PLR e garantia de pagamento até 2012’, reforçou a bancada de trabalhadores.


A gente vale mais
José Luiz Zétula, diretor do Sinergia CUT e negociador com a CPFL, ressaltou que ‘todas as empresas praticamente fecharam novos Acordos Coletivos com uma proposta melhor. A proposta da CPFL está aquém do que os trabalhadores merecem e abaixo do que outras empresas do setor vêm praticando. Por isso, é fundamental a mobilização de todos pela reabertura da negociação. Para mostrar que paciência tem limite e que a gente vale mais’.


Falando também aos trabalhadores que estavam na sacada ou mesmo dentro da empresa, o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, Gentil Teixeira de Freitas, alertou que ‘a CPFL percebeu a unidade dos trabalhadores e fez uma proposta que divide a categoria. Depois, não aceitou nossa contraproposta. Mas queremos avançar na mesa e exigimos negociação já. Queremos negociar, negociar, negociar. Até a vitória’.


Marcelo Fiorio, diretor de Comunicação do Sinergia CUT representou a FNU (Federação Nacional dos Urbanitários da CUT) e foi taxativo: ‘Por enquanto estamos com atos de mobilização porque é um absurdo uma empresa com alta lucratividade discriminar trabalhadores. Lucra R$ 1,6 bilhão em 2007 e na hora de repor a inflação nos salários trata iguais como desiguais. Também propõe uma PLR que discrimina e diferencia. Queremos que esse impasse tenha solução na mesa. Caso contrário, os trabalhadores farão jus à unidade se chamados a aprofundar a mobilização’. 


Solidariedade classista
O coordenador da Subsede da CUT em Campinas, José Tavares, reforçou: ‘A CUT participa e apóia esse ato democrático com caráter de protesto contra a política truculenta que a CPFL adotou para tratar trabalhadores e sindicatos. Não dá para aceitar reajuste escalonado diante do alto lucro que a CPFL registrou. Os trabalhadores merecem respeito’.


O SintPq (Sindicato dos Pesquisadores) também deu total apoio: ‘Estamos aqui para prestar solidariedade contra o descaso da CPFL com os trabalhadores. Unidade é a força para conquistar respeito e dignidade no tratamento aos trabalhadores. Vamos estar com vocês sempre que for necessário. Contem com a gente até a vitória’, afirmou Paulo Porsani, presidente da entidade.

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