Correios: Greve de 21 dias dobra intransigência da ECT, garante cumprimento do acordo e conquistas

22 julho 20:00 2008

Vitória dos trabalhadores dos Correios


Após uma greve de 21 dias que mobilizou o conjunto do país, os funcionários dos Correios conseguiram dobrar a intransigência do presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, que vinha se negando a cumprir o acordo firmado com a categoria. Com o recuo da empresa e conquista garantida, as assembléias aprovaram o retorno ao trabalho nesta Terça-feira (22).


De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), o movimento conseguiu um aumento de 30% no salário dos carteiros e um aumento de R$ 260 para atendentes e motoristas. Haverá também a negociação do plano de cargos e salários dentro de, no máximo, 90 dias. Os trabalhadores não terão os dias de paralisação descontados do salário – mas de um banco de horas -, e não haverá punição dos grevistas.


‘Vitória dos trabalhadores, essa é a frase que deve ser dita em todos os setores da empresa. A Fentect, os sindicatos e principalmente os trabalhadores, estão de parabéns pela maturidade demonstrada na luta, e, principalmente, pela unidade que foi assegurada até o momento final do impasse que possibilitou o acordo de encerramento da greve’, comemora a Federação.


Conforme Manoel Cantoara, secretário geral da Fentect, a reunião que acertou o fim da greve, com a presença do ministro das Comunicações, Hélio Costa, deixou ‘clara a intenção de alguns dirigentes da empresa, de querer desmoralizar o movimento sindical, levando o ministro a acreditar que, a ECT estava cumprindo o Termo de Compromisso na integra, e que os trabalhadores é que estávamos agindo de forma irresponsável’.


Com a volta ao trabalho, a entrega das 130 milhões de correspondências retidas durante a paralisação deve ser normalizada em 10 dias, já que os funcionários se comprometeram a fazer um mutirão.


‘Nossa avaliação é de vitória do movimento, porque tivemos nossas principais reivindicações atendidas. Se a empresa e o governo tivessem atendido antes, teríamos retornado mais cedo ao trabalho e evitado transtornos à população’, disse José Gonçalves, da Comissão de Negociação da Fentect.


‘Este acordo significa uma vitória dos trabalhadores, ainda que parcial, uma vez que o presidente dos Correios simplesmente não queria negociar’, afirma o diretor de Finanças do Sindicato do Paraná, Sebastião Cruz, para quem ‘a organização dos trabalhadores venceu a arrogância de Carlos Henrique Custódio, que deveria ser processado por má gestão pública e pelo transtorno causado aos trabalhadores e à população brasileira’.


‘Avaliamos que a intervenção de Lula foi decisiva para o recuo tanto do presidente dos Correios quanto do ministro das Comunicações’, avalia Nilson Rodrigues dos Santos, secretário-geral do Sintcom-PR, frisando que no contato direto com o presidente, logo nos primeiros dias de greve, ‘ele se mostrou contrariado com o fato de o termo de compromisso ter sido descumprido.’

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