Funcionários da CPFL ameaçam iniciar greve na próxima semana

23 julho 19:33 2008

Depois de frustradas as negociações com a direção da CPFL Paulista, o Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia-CUT) já cogita paralisação das atividades na empresa a partir da próxima terça-feira. Ontem, o sindicato realizou assembléia na CPFL de Bauru, onde foi rejeitada a proposta da empresa.


O Sinergia quer o retorno à mesa de negociação para que a empresa estabeleça nova proposta de reajuste à categoria. Caso a greve seja confirmada, 210 trabalhadores em Bauru e região deverão cruzar os braços.


A CPFL ofereceu 6,8% de reajuste para salários de até R$ 2.200, o que, segundo o sindicato, significa 1,76% de aumento real em relação ao ICV e 1,31% em relação ao IPC- Fipe. Para os salários entre R$ 2.201 a R$ 2.493,40, a empresa propõe acréscimo de R$ 149,00 fixos (6,37% em média). Já os salários a partir de R$ 2.493,50, teriam reajuste de 6%.


A CPFL ofereceu ainda 20% e 10% para os vales alimentação e refeição, respectivamente, além de um bônus de R$ 300,00 em forma de vale-alimentação e pagamento em setembro próximo. O montante para Participação nos Lucros e Resultados (PLR) passou para 1,11% do Resultado de Serviço de 2008. A novidade é que a proposta inclui o pagamento de um adiantamento de R$ 1 mil fixos em setembro próximo.


Essa proposta foi rejeitada pelos Sinergia, que quer garantir 6,8% para todos os trabalhadores, mais abono de R$ 300,00 pago através do vale-refeição, PLR com percentual maior do Resultado do Serviço e fixado para as PLRs até 2012 – com antecipação de 50% do salário em setembro, garantindo no mínimo R$ 1.500,00.


Segundo o presidente do Sinergia, Gentil Teixeira de Freitas, se a CPFL não chamar os trabalhadores para melhorar a proposta, a greve será deflagrada no dia 29. De acordo com ele, a intenção da greve não é prejudicar a população, por isso, caso o movimento se confirme, os serviços essenciais continuarão sendo realizados, principalmente para não afetar os hospitais e outros setores que dependem desses serviços. ‘O que deixará de ser feito é a manutenção. De imediato, não deve causar problemas, mas se as manutenções não forem feitas, a rede pode começar a cair. É importante deixar claro que os trabalhadores não querem prejudicar a população, mas sim mostrar que a empresa não quer negociar’, disse.


Resposta
A CPFL Paulista enviou nota ao Jornal da Cidade informando que apresentou, no último dia 7, sua ‘proposta final para fechamento do acordo coletivo 2008, que apresenta avanços significativos em itens importantes como vale-refeição e vale-alimentação, com aumentos muito acima da inflação e uma proposta ousada na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).


Quanto ao índice de reajuste dos salários, a proposta apresentada está acima dos principais indicadores de inflação do período.


Caso manifestações aconteçam, as cidades não correm risco de desabastecimento. Os serviços podem continuar sendo solicitados normalmente pelo telefone 0800-010-10-10, pela Internet, no site www.cpfl.com.br e na rede credenciada no comércio local identificada com a marca CPFL Total.  (Marcelo de Souza)

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