Sinergia CUT faz assembléias decisivas com trabalhadores da CPFL

23 julho 17:03 2008

Sindicato encaminha proposta para rejeição e propõe plano de luta. Protesto em Bauru confirma disposição da categoria


O impasse criado pela direção da CPFL Energia nas negociações da Campanha Salarial pode levar os trabalhadores da holding em todo estado de São Paulo a aprovar um plano de luta para pressionar avanços e garantir um Acordo Coletivo justo.


É o que a categoria vem discutindo em assembléias que estão sendo realizadas pelo Sinergia CUT durante esta semana em todas as cidades atendidas pela CPFL Energia. Durante o encontro, dirigentes do Sinergia CUT estão explicando porque a entidade rejeita a proposta final apresentada pela empresa e propõe um plano de luta para intensificar a mobilização. O resultado parcial das assembléias até esta quarta-feira (23) aponta que os trabalhadores acatam o encaminhamento do Sindicato e estão rejeitando a proposta da holding e aprovando o plano de luta.


Proposta discriminatória
‘A CPFL apresentou uma proposta que discrimina e divide a categoria, que não reconhece o esforço dos trabalhadores para a conquista de seu excelente resultado financeiro e que está abaixo de todas as propostas das demais empresas do setor’, afirma Gentil Teixeira de Freitas, tesoureiro do Sinergia CUT e presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas.  


A data base da categoria é 1° de junho. A proposta oficial apresentada pelos negociadores da holding é escalonada para o reajuste salarial: 6,8% para salários até R$ 2.200 (aumento real de 1,76% em relação ao ICV-Dieese e de 1,31% em relação ao IPC-Fipe); valor fixo de R$ 149 para os salários entre R$ 2.200,01 a R$ 2.493,40; 6% para salários a partir de R$ 2.493,50. O vale alimentação seria reajustado em 20% e o vale refeição em 10%. Um bônus de R$ 300 seria pago no VA em setembro próximo. O montante para a PLR (Participação nos Lucros e ou Resultados) seria de 1,11% do Resultado de Serviço de 2008, com pagamento de uma antecipação de R$ 1 mil fixos também em setembro próximo.


Sucesso no protesto em Bauru
A proposta da holding já foi rejeitada pelo Sindicato, mas a CPFL não reabriu negociação. Para vencer a intransigência e buscar a reabertura imediata das negociações, todos os sindicatos vêm realizando manifestações de protestos unificados ou simultâneos nas principais cidades atendidas pela CPFL.


O último protesto organizado pelo Sinergia CUT aconteceu na manhã da última terça-feira (22), em Bauru. Com adesão total dos trabalhadores à manifestação, dirigentes do Sindicato debateram a proposta oficial, que foi rejeitada por unanimidade pela categoria. Portanto, caso a greve seja confirmada, os 210 trabalhadores em Bauru e região já confirmaram que deverão cruzar os braços.


O Sinergia CUT continua reivindicando reajuste salarial de 6,8% para todos; abono de R$ 300 pago no VR para beneficiar um número maior de trabalhadores; PLR com percentual maior do Resultado do Serviço e antecipação de 50% do salário em setembro, garantindo no mínimo R$ 1.500.


‘Não é possível que uma empresa que vem batendo recordes sucessivos de lucros apresente uma proposta que diferencia trabalhadores. A CPFL lucrou R$ 1,6 bilhão em 2007 e na hora de repor a inflação nos salários trata iguais como desiguais. Também propõe uma PLR que discrimina e prejudica quem tem salários mais baixos. Queremos que esse impasse tenha solução na mesa e vamos buscar negociação até o fim. Caso contrário, os trabalhadores farão jus à unidade se chamados a aprofundar a mobilização’, alerta Freitas.


Proposta não oficializada
Na tarde de quinta (17) da semana passada – dois dias depois do décimo ato unificado de protesto que reuniu dirigentes de todos os sindicatos, federações e centrais sindicais que estão na Campanha Salarial e que vêm buscando a reabertura da negociação – a direção da CPFL convocou  uma reunião de esclarecimentos.


Esse foi motivo que fez com que o Sinergia CUT adiasse as assembléias que estavam convocadas para os últimos dias 17 e 18, em mais uma demonstração de disposição para negociar. Depois de muito debate, o Sindicato cobrou uma resposta da CPFL Energia à contraproposta dos trabalhadores.


O diretor de RH afirmou que o máximo que poderia propor aos sindicatos era a seguinte proposta alternativa: reajuste de 6,8% para salários até R$ 4.500; fixo de R$ 306 para salários entre R$ 4.500,01 e R$ 5.660; e reajuste de 5,41% para salários acima disso. Na PLR, a antecipação seria de R$ 1.200 fixos. Mas, ao final da reunião, a direção da CPFL não oficializou essa proposta alternativa e manteve a proposta que já foi rejeitada pelo Sindicato.


Plano de luta
O impasse continua. Por isso, além de propor a rejeição da proposta oficial, o Sinergia CUT vem debatendo com os trabalhadores o plano de luta para sensibilizar e pressionar a direção da holding. Assim como em Bauru, em todas as assembléias realizadas até agora, a categoria vem aprovando um calendário que começa com greve de 24 horas e pode chegar à greve por tempo indeterminado.

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