Assembléia da Classe Trabalhadora

12 agosto 11:01 2008

Debaixo de uma persistente chuva, mais de seis mil militantes participaram de passeata no centro de São Bernardo no último dia 08. Sinergia CUT estava lá, representado por mais de uma centena de pessoas. A Jornada de Lutas da CUT, elaborada e aprovada pela 12ª Plenária foi lida e aprovada por unanimidade no final da assembléia


Uma passeata no Centro de São Bernardo do Campo culminou na Assembléia Popular da Classe Trabalhadora, na histórica Praça da Matriz. A manifestação, parte das comemorações dos 25 anos de vida da Central Única dos Trabalhadores, aconteceu na tarde da última sexta, dia 8.


O ponto de partida da passeata foi a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para onde se dirigiram as delegações vindas da 12ª Plenária Nacional, que acontecera em São Paulo, e também delegações de outras regiões – havia 19 Estados da Federação representados.


O secretário-geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, foi o coordenador, ou pode-se dizer também mestre-de-cerimônias, da passeata. No início da caminhada, lembrou a importância histórica daquela esquina da rua João Basso, onde fica o Sindicato, e a rua Marechal Deodoro. ‘Naquele momento de enfrentamento ao regime militar, quando lutávamos pelo direito básico de nos organizarmos, lá no final dos anos 1970, começava essa história de lutas e conquistas que tanto nos orgulha, a história da CUT’, disse ele.


Também no caminhão de som, o presidente dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, destacou que a luta, que teve início na reivindicação de direitos essencialmente trabalhistas, aprofundou-se e ganhou amplitude. ‘Claro que no início, como ainda hoje, precisávamos de melhores salários, condições minimamente dignas de saúde e segurança e de outros direitos, mas nossa batalha constante nos colocou em outras lutas, por justiça social para todos, saúde e educação públicas de qualidade, porque de nada adiantaria termos bons salários se nossas cidades não tiverem políticas públicas voltadas aos trabalhadores’, afirmou.


Júlio Turra, que iniciou sua carreira de professor e consolidou sua militância política no ABC, fez um paralelo entre as passeatas do período 1970-1980 e a caminhada de sexta-feira pela Marechal, como carinhosamente é chamada a rua pelos moradores. ‘Quantas vezes não fomos recebidos com bombas de gás lacrimogênio, com mordidas de cães e cassetetes. Mas foi a garra e a coragem da classe trabalhadora, unificada pela Central Única dos Trabalhadores, fundamentais para romper a ditadura, que nos permitem hoje caminhar por essa rua em festa, com todo o comércio aberto, em pleno funcionamento. Naquela época, o conflito com o regime fazia todas essas portas se fecharem’, lembrou.


O gaúcho Quintino Severo, secretário-geral da CUT, reafirmou sua origem para poder lembrar o caráter plural da entidade e de suas lutas. ‘A CUT representa todo o Brasil, todas as regiões. A CUT é o Brasil, refletido nas lutas históricas e imediatas da classe trabalhadora, composta por negros, mulheres, indígenas, camponeses, assalariados e trabalhadores informais, de Norte a Sul’.


Lúcia Reis, diretora executiva, dirigiu-se aos manifestantes com inconfundível sotaque carioca para destacar que a luta da CUT é por igualdade e distribuição de renda, e que nesse sentido a exigência de um Estado cada vez mais forte e presente, assim como aberto à participação das entidades populares é essencial. ‘Nestes próximos meses, como definido pela 12ª Plenária, uma de nossas prioridades é garantir a negociação coletiva no setor público, para democratizar e aperfeiçoar o serviço e o atendimento à população’, disse.


O presidente Artur Henrique, que havia caminhado a maior parte do trajeto, subiu ao caminhão de som para anunciar a proximidade da Praça da Matriz e do início da Assembléia Popular. ‘Estamos aqui para celebrar e reafirmar nossas raízes, para dizer de peito aberto a razão de viver da CUT são as lutas populares, a valorização de todos que vivem de sua força de trabalho, e o sonho de que cada brasileiro e brasileira, independentemente de suas origens, merece viver bem e ser dono de seus destinos’, falou Artur.


Na chegada à Praça da Matriz, sob chuva ainda maior, as falas dos dirigentes tiveram, todas, o tom emocionado próprio à lembrança das lutas ali travadas em diversas ocasiões e da guarida que aquela paróquia deu a dirigentes grevistas perseguidos pelo regime militar, e, claro, da evidente influência da CUT na mudança que o Brasil experimentou nas três últimas décadas. José Lopez Feijóo, diretor executivo, destacou que a CUT nasceu para encaminhar as lutas gerais da classe e para construir a unidade, já que ‘a dispersão seria ótima para os patrões e para muitos governos’. Rosane da Silva, secretária nacional Sobre a Mulher Trabalhadora, afirmou que uma das razões para a CUT ser grande e ser forte é ter ‘acreditado desde o início na importância da diversidade e na busca por igualdade de oportunidades e direitos’.


Expedito Solaney, secretário nacional de Políticas Sociais, reafirmou que ‘essa história de 25 anos e o aprendizado que nos trouxe, o acúmulo que temos, são essenciais para a superação das desigualdades que ainda persistem e para a construção dos próximos anos de luta’. Temístocles Marcelos Neto, titular da Comissão Nacional da CUT para a Amazônia, abriu sua fala proclamando o orgulho que tem de fazer parte da CUT e ‘a certeza de que essa Central é a verdadeira entidade que pode aglutinar os interesses e as lutas da classe trabalhadora e promover o diálogo com outros movimentos populares’.


Artur Henrique encerrou o ato com entusiasmo, apresentando aos presentes a Jornada de Lutas da CUT, elaborada e aprovada pela 12ª Plenária. Leu o documento, aprovado por unanimidade. (Isaías Dalle)


Confira na íntegra do documento


JORNADA DE LUTAS E MOBILIZAÇÕES DA CUT


A CUT, nos seus 25 anos de existência, com uma trajetória de luta e combatividade, em defesa dos interesses e aspirações da classe trabalhadora, reafirma os princípios e bandeiras que lhe deram origem.


Nesse cenário de reorganização do movimento sindical e de retomada do crescimento econômico, os desafios se modificam, tornam-se mais complexos e se multiplicam. Portanto, cada vez mais imprescindível a atualização da nossa estratégia, para nossa militância disputar o projeto de desenvolvimento para o Brasil.


Assim, com a firme determinação para manter sempre acesa a chama do fortalecimento da democracia, da valorização do trabalho, da ampliação de direitos da classe trabalhadora, com toda a sua diversidade: gênero, raça/etnia, opção sexual, pessoas com deficiência; da democratização das relações sociais e das relações de trabalho, por uma organização sindical livre e autônoma, no rumo de uma sociedade socialista.


Para isto, a 12ª Plenária Nacional da CUT convoca uma Jornada de Lutas e Mobilizações, por meio das seguintes ações estratégicas, com ênfase na Marcha da Classe Trabalhadora, em dezembro 2008.


Disputar a hegemonia na sociedade
As bandeiras dessa Jornada são fundamentais para o fortalecimento do projeto sindical cutista porque propiciam fomentar a solidariedade interna e possibilitam dialogar com o povo trabalhador não organizado, que é o principal afetado negativamente pela ausência de direitos.


Enfatizamos como bandeiras centrais:


o Disputar projeto de desenvolvimento nacional sustentável, cujo centro seja a distribuição de renda e a valorização do trabalho;


o Combater a inflação, na perspectiva da classe trabalhadora, cobrando reforma tributária socialmente justa, redução da taxa de juros e desoneração da cesta básica;


o Intervenção nas eleições municipais comprometendo as candidaturas com a Plataforma Eleitoral da classe trabalhadora, formulada pela CUT.


o Pressionar o Governo Federal e os governos estaduais e o Congresso Nacional pela ampliação de direitos: negociação coletiva no serviço público, contra as demissões imotivadas, livre organização no local de trabalho, redução da jornada de trabalho, combate à terceirização e precarização.


o Garantir que os empregos gerados com o crescimento econômico sejam adequados ao Trabalho Decente.


o Defender políticas de proteção social para estruturação do mercado de trabalho, com a formalização dos empregos e a universalização da seguridade social pública, o fim do fator previdenciário;


o Defender investimento massivo em infra-estrutura urbana, com a implementação do Estatuto da Cidade;


o Ampliar a luta pela reforma agrária, pelo fortalecimento da agricultura familiar, o limite da propriedade rural e atualização do índice de produtividade;


o Defender matriz energética limpa, de fontes renováveis;


o Por uma nova tabela do Imposto de Renda;


o Pela implantação do Piso Nacional da Educação Básica;


o Luta pelo fortalecimento do papel do Estado com a ampliação dos concursos públicos, política de valorização dos servidores e combate à criação de fundações de direito privado;


o Reforçar a Campanha pela Igualdade de Oportunidades entre homens e mulheres, com as mesmas condições de trabalho e salário;


o Fortalecer as lutas pela legalização e descriminalização do aborto e combate a violência contra a mulher;


o Lutar pelo cumprimento do Estatuto da igualdade Racial e do Idoso;


o Combater a discriminação no trabalho, com atenção às pessoas vivendo com HIV, LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e pessoas com deficiência;


o Organizar a juventude (rural e urbana) na luta contra a precarização do trabalho juvenil, pelo direito à educação, cultura e lazer;


o Fortalecer a luta contra o trabalho análogo ao escravo e infantil no campo e na cidade;


o Realizar campanha em defesa do SUS;


Consolidar a democracia e ampliar as mobilizações


A democratização da sociedade é um elemento estratégico para a disputa d e hegemonia e fortalecimento do projeto sindical cutista. A livre mobilização e participação popular são elementos centrais deste processo.


Destacamos como principais bandeiras:


o Potencializar a luta pela liberdade e autonomia sindical, realizando campanha nacional pela ratificação da convenção 87, da OIT, pela punição de práticas anti-sindicais e direito de greve;


o Avançar na luta pelo fim do Imposto Sindical e implantação da Contribuição Negocial;


o Fortalecer a agenda da CSA – Confederação Sindical das Américas, por liberdade sindical, trabalho decente e combate aos tratados de livre comércio (TLC´s) e privatizações;


o Fortalecer a CCSCS – Coordenadora de Centrais sindicais do Cone Sul na luta pela ampliação de direitos no âmbito do Mercosul;


o Envolver o movimento sindical e movimentos sociais na Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, no dia 07 de outubro de 2008;


o Potencializar a participação e articulação da CUT na construção do FSM – Fórum Social Mundial, em Belém – 2009;


o Potencializar a luta pela institucionalização de mecanismos e instrumentos de participação dos trabalhadores/as, a exemplo dos conselhos visando a ampliação do controle social e a consolidação de políticas de Estado e não de governos.


o Realizar campanha pelo projeto de lei de iniciativa popular por um plebiscito oficial pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce.


o Ampliar a luta pela democratização dos meios de comunicação;


o Participar da ‘Marcha dos Sem’ em 05/09/2008, no Rio Grande do Sul, potencializando a luta contra a criminalização dos movimentos sociais, e construir uma grande mobilização no Grito dos Excluídos.


o Fortalecer a CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais, como instrumento fundamental para impulsionar as mobilizações no país.


o Assegurar a participação dos movimentos sociais nas instâncias de decisão de políticas públicas e do orçamento público.

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