Governo considera que leilão de reserva viabilizará novas usinas a biomassa e garantirá segurança energética

15 agosto 10:07 2008

ICGs e potência total instalada final indicam que biomassa pode ser viabilizada no país, apesar de resultado do leilão


O resultado do leilão de energia de reserva, realizado nesta quinta-feira, 14 de agosto, foi comemorado pelo governo, a despeito dos números finais do certame. A avaliação final é que as usinas que contrataram no leilão abriram espaço para que outros empreendedores sigam o mesmo caminho e garantirão segurança energética ao país, com a implantação da conexão compartilhada à Rede Básica, e com a potência total instalada que será adicionada, respectivamente, mesmo que o leilão tenha contratado 548 MWmed nos dois produtos ofertados – 2009 e 2010.


Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, o leilão terminou com adição total de 2.379,4 MW de potência instalada – o que correspondeu a pouco mais de 1 mil MW de garantia física. ‘Isso corresponde ao equivalente a cerca de duas vezes a potência de Estreito (TO/MA, 1.087 MW)’, disse o secretário. Já o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, ressaltou que o montante total que será instalado corresponde a quase quatro vezes a potência de 685 MW contratada pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica.


O executivo destacou que a construção da conexão compartilhada – os ICGs – abre espaço para que novas usinas entrem no negócio de geração de energia, já que contarão com o escoamento da energia – um dos pleitos dos empreendedores desse segmento. O leilão para construção dos ICGs está em fase de preparação e deve ser realizado na primeira quinzena de novembro.


Zimmermann destacou que a localização das usinas ofertantes foi considerada bem distribuída por diversos estados. No entanto, a maioria delas está no submercado Sudeste/Centro-Oeste, onde estão localizados 70% dos reservatórios do país. Tolmasquim reiterou que essa energia será contratada para ser disponibilizada além da carga do país, o que permite a redução estrutural do Preço de Liquidação de Diferenças.


No entanto, apesar dos 548 MWmed negociados no leilão, o restante deve seguir para o mercado livre, o que na avaliação dos gestores do leilão não chega a ser um problema. ‘O governo se preocupa com os dois mercados e a atender ao mercado livre, onde também há falta de energia é um objetivo importante. Eles também estão com dificuldades de contratar energia’, disse Tolmasquim. ‘Não se pode fazer um leilão exclusivo para o mercado livre, estaríamos intervindo no mercado livre. Utilizamos um mecanismo de política energética para o mercado regulado e ao empreendedor cabe a estratégia’, acrescentou Zimmermann.


Com relação ao desempenho do produto 2009, Tolmasquim minimizou o resultado pequeno, já que ‘2009 está logo ali, bem perto’. Para ele, uma outra hipótese para apenas três empreendimentos contratarem energia para entrega no ano que vem está numa possível estratégia de se aproveitar cenários elevados de preços para vender energia para o mercado livre.


Já o secretário-executivo do MME lembrou ainda que a geração à biomassa pode significar uma oportunidade adicional de negócio, já que essas usinas podem negociar créditos de carbono por conta dessa geração.


Números do leilão – O presidente do conselho de administração da Câmara Comercialização de Energia Elétrica, Antônio Carlos Fraga Machado, apresentou o resultado final do leilão. Segundo ele, 31 empreendimentos negociaram energia que resultou numa movimentação financeira de R$ 10,723 bilhões ao longo dos próximos 15 anos de contrato.


O leilão durou cerca de 20 minutos no produto 2009 e pouco mais de 1:40 hora para a negociação do produto 2010. Para o produto 2009, a movimentação ficou em R$ 69 milhões, enquanto o volume financeiro do produto 2010 alcançou R$ 10,028 milhões. A média do Índice de Classificação de Empreendimentos para o produto 2009 ficou em R$ 60,86 por MWh e em R$ 58,71 por MWh para 2010. O ICE médio do leilão fechou em R$ 58,84 por MWh, comentou Machado.


Já o preço final do leilão, considerando a receita fixa do empreendedor, segundo Tolmasquim, variou entre R$ 148 por MWh e R$ 156 por MWh. A diferença – a receita fixa – será paga por consumidores descontratados ou por geradoras mais caras que serão deslocadas da pilha de despacho. Isso acontece, explicou Tolmasquim, porque essas usinas pagarão o preço de curto prazo em função da energia que seria despachada caso fosse ordenada. (Fábio Couto)

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