Edital da usina sairá em setembro de 2009

28 agosto 09:48 2008

Brasília, 28 de Agosto de 2008 – O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, projeta a realização de dois leilões de energia para 2009. Ele afirmou ontem, durante evento que comemorou os dez anos de criação do mercado livre de energia, que o edital de licitação da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (Pará), deve ser sair em setembro do próximo ano. Por sua vez, o edital de energia eólica, ainda em fase de estudos, vai ser encaminhado para uma decisão do governo ainda neste ano, para lançamento também no ano que vem.


A usina de Belo Monte vai gerar 11 mil megawatts (MW), tamanho que a coloca em patamar próximo à capacidade de Itaipu Binacional (14 mil megawatts), a maior do mundo em geração, enquanto o projeto da energia dos ventos pode promover a contratação de até 50 mil megawatts, de um potencial brasileiro estimado em 130 mil megawatts. A proposta de leilão será exclusiva para geração eólica, para que não sofra competição com a venda de outros tipos de geração de energia.


‘O problema (da energia eólica) é o preço, que é mais caro que o de Angra 3 (nuclear). Se fizer (o leilão) junto com outro (tipo de energia) , torna-se difícil haver interesse’, afirmou o presidente da EPE. Segundo Tolmasquim, a energia de Angra 3 vai custar abaixo de R$ 140 megawatt-hora (MWh), enquanto a eólica está cotada hoje, pelo mercado, entre R$ 180 e R$ 220 o megawatt-hora. A geração eólica terá papel apenas de assegurar a reserva energética brasileira, para liberação e suplementação de carga apenas em ocasiões de aumento da demanda.


Tolmasquim informou que os estudos em andamento procuram identificar e mapear os problemas e gargalos para a licitação eólica, bem como avaliar a demanda e o preço desse tipo de geração. Segundo ele, há informações iniciais de que o mercado setorial está aquecido e que isso poderia trazer dificuldades para fornecimento de equipamentos e conexões, com prazo de entrega de pelo menos quatro anos.


Usina de Jirau
O executivo da EPE disse estar tranqüilo em relação ao cronograma de implantação da usina de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, apesar da judicialização da licitação. Duas instâncias do Ministério Público, tanto estadual quanto federal, em Rondônia, impetraram, esta semana, ações contra a mudança do projeto da usina, sob análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além disso, os órgãos prometem entrar também contra a vizinha usina de Santo Antônio, no Rio Madeira.


‘Isso (ação judicial) faz parte do processo, a maioria das hidrelétricas têm ações’, observou Tolmasquim, ao afastar a possibilidade de haver paralisação do empreendimento. O presidente da Aneel, Jerson Kelman, que compareceu ao evento para enaltecer o papel do mercado livre e da Abraceel (instituição que reúne as comercializadoras de energia em regime de competição), afirmou que as análises sobre o projeto básico de Jirau estão sendo feitas com a velocidade que o interesse oficial requer, prevendo para outubro a aprovação. O prazo não atende os interesses do consórcio Energia Sustentável do Brasil, liderado pela Suez e Camargo Corrêa, que, na cerimônia de assinatura do contrato no Palácio do Planalto, manifestou-se pela aprovação pela Aneel ainda este mês, para dar início às obras em setembro. (Márcio de Morais)

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