Energia: desafios e perspectivas para a classe trabalhadora

19 setembro 18:13 2008

Seminário nacional acontece até sexta (19), com transmissão ao vivo pelo Portal do Sinergia CUT. Acesse o Jornal dos Trabalhadores e acompanhe


Um dos temas mais debatidos recentemente no país refere-se à energia, suas potencialidades e impactos na consolidação de um projeto de desenvolvimento, com inclusão social, geração de emprego e renda e valorização do trabalho. Consciente da importância do tema, a CUT Nacional e a Fundação Friedrich Eber organizaram o Seminário Nacional ‘Energia, Desenvolvimento e Soberania: Estratégias da CUT’ que está acontecendo hoje (18) e amanhã (19), no Hotel Braston Martins Fontes, em São Paulo.
 
O evento conta com a participação de lideranças sindicais de diferentes ramos de atividade, de especialistas do setor e de representantes do governo federal e da Petrobras. O Seminário está sendo transmitido ao vivo, através da internet, pelo Portal do Sinergia CUT, dentro do  ‘Jornal dos Trabalhadores’, uma parceria com a Associação Brasileira de Rádios Cumunitárias (Abraço) e Rádio FAE.


O setor de energia é considerado um dos mais relevantes para a sustentação do ritmo de crescimento em longo prazo. O potencial das últimas descobertas de petróleo no país motiva um grande debate sobre o modelo de exploração dessas reservas e o destino a ser dado a esses recursos.
 
Também tem sido motivo de grande debate a expansão da produção agrícola de biocombustíveis, uma nova fonte de energia e alternativa energética mais limpa, com amplo potencial de inclusão social e de acesso a mercados externos, contemplando também as preocupações com segurança alimentar, zoneamento agrícola, competição pela terra com alimentos, compra de terras por estrangeiros, segurança hídrica, indução ao desmatamento, trabalho degradante, infantil e análogo ao escravo.


O debate aborda a necessidade de que a matriz energética mundial contemple fontes renováveis e não poluentes de energia, que não venham a agravar a fome no mundo e o aquecimento global do planeta. Também que o Brasil, por seu potencial energético, por sua posição geográfica, pela disponibilidade de terras agriculturáveis e pelo domínio da tecnologia, alcançado nos últimos 30 anos, desempenha um papel de destaque neste cenário. E que a CUT vai intervir nessa disputa de modelos de desenvolvimento, sob a ótica do desenvolvimento sustentável.


Os objetivos do Seminário são:
– Aprofundar reflexão sobre a matriz energética, em especial o petróleo e os biocombustíveis, tendências e decorrências estratégicas deste modelo para o desenvolvimento do país;
– Analisar os impactos da adoção dos combustíveis renováveis sobre o meio ambiente, o sistema de propriedade e desenvolvimento rural e as condições de trabalho;
– Analisar os impactos das novas matrizes energéticas sobre as relações de trabalho;
– Subsidiar a formulação de propostas da CUT e divulgação em todos os âmbitos.


Abertura


Ocorreu na manhã desta quinta-feira (18), no Hotel Braston (Martins Fontes 333), em São Paulo, a abertura do seminário nacional que debaterá até sexta-feira (19) as estratégias da Central Única dos Trabalhadores para as novas matrizes energéticas. O evento construído em parceria com a FES (Fundação Friedrich Ebert Stiftung) foi apresentado pelo presidente da CUT, Artur Henrique e pelo representante da FES, Jochen Steinhilber.


Artur enfatizou os objetivos centrais da atividade. ‘Tenho certeza que conseguiremos aprofundar a reflexão sobre a matriz energética, em especial o petróleo e os biocombustíveis, tendências e decorrências estratégicas deste modelo para o desenvolvimento. Além disso, analisaremos os impactos da adoção dos combustíveis renováveis sobre meio ambiente, o sistema de prioridade e desenvolvimento rural e as condições de trabalho, como também, os impactos das novas matrizes energéticas sobre as relações de trabalho. Os encaminhamentos subsidiarão a formulação de propostas da nossa central.


Na seqüência o professor do Instituto de Economia da USP, Ildo Luis Sauer, expôs o processo da matriz energética brasileira usando momentos históricos como pano de fundo. Para o professor a grande questão é quem ficará com o excedente econômico que resultará da descoberta do pré-sal. ‘Na minha concepção o grande desafio é organizar um modelo que delegue à Petrobrás a administração da camada pré-sal a partir de um modelo estabelecido por nós. Acredito que essa mudança só possa ser feita por uma operação liderada pela Petrobrás a partir da revisão do modelo de exploração e produção, isso sem falar na a criação de um fundo constitucional, que serviria como uma espécie de garantia para as gerações futuras do Brasil’, afirmou.


O coordenador da Comissão Nacional de Meio Ambiente, Temístocles Marcellos Neto, acrescentou ao debate a preocupação de para quem vender. Segundo ele, a CUT deve incluir nas pautas de suas confederações e federações a geração de empregos proporcionais a utilização dos recursos para garantir assim o desenvolvimento e a soberania do país. ‘Nós devemos oferecer alternativas e propostas para a sustentabilidade da energia’, enfatizou.
 
Para o representante da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Franklin Moreira, a questão está na construção de uma política energética que garanta o controle social com a participação de todos os atores. ‘Lula fez uma reforma importante no setor energético que foi impedir a privatização – ele devolveu a Ministério de Minas e Energia a possibilidade de barrar iniciativas privatistas que ajudaram a barrar algumas tentativas em São Paulo.


Na parte da tarde, os participantes debaterão a questão do petróleo, regulação e soberania nacional com a presença do Senador Aloízio Mercadante (PT/SP) e o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, João Antônio de Moraes.

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