Dieese aponta relativa estabilidade na taxa de desemprego total

25 setembro 17:59 2008

A exemplo do que ocorreu em julho, também em agosto o desemprego  para o conjunto de regiões que compõem o Sistema PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) manteve-se relativamente estável, com taxa de 14,5%, contra 14,6% em julho. A pesquisa é realizada em cinco regiões metropolitanas (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre) e no Distrito Federal através do convênio entre DIEESE e  Fundação Seade com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego e parceria com instituições e governos regionais. Também em agosto, a taxa verificada é a mais baixa para este período desde 1998, primeiro ano para o qual existem dados para todas as regiões. Em comparação com agosto de 2007, quando 15,6% da População Economicamente Ativa (PEA) encontravam-se na condição de desempregada, houve recuo de 7,1%.


A taxa de participação no conjunto de regiões voltou a crescer, chegando a 61,5% em agosto, contra 61,4%, em julho. Este comportamento foi importante para a estabilidade no desemprego, pois o Sistema PED estima que, em agosto, 2,911 milhões de pessoas encontravam-se em situação de desemprego nas seis áreas pesquisadas, 22 mil a menos que no mês anterior. Um total de 94 mil pessoas incorporou-se à população economicamente ativa (PEA), que chegou, assim, a 20,128 milhões de pessoas. O nível de ocupação cresceu 0,5%, com 94 mil pessoas obtendo uma nova vaga no mercado de trabalho, e elevando o total de ocupados para 17,217 milhões. Na comparação com agosto do ano passado, a PEA teve aumento de 762 mil pessoas, enquanto o número de ocupados cresceu em 878 mil pessoas, o que permitiu a redução do total de desempregados em 116 mil pessoas em um ano.


O maior número de postos de trabalho foi aberto no setor de Serviços (75 mil empregos, e crescimento de 0,8%). Em termos relativos, a maior geração de vagas deu-se na Construção Civil, onde os 24 mil novos empregos significaram um aumento de 2,6%, no mês. Somente os Outros Setores tiveram desempenho negativo em agosto, com o fechamento de 17 mil postos (-1,1%).  Em 12 meses,  todos os setores apresentam comportamento positivo, com destaque, mais uma vez para a Construção Civil, com elevação de 11,4%, ou 97 mil vagas. 


Quando se considera a posição na ocupação, os dados da PED mostram que, em agosto, houve retração de 0,7% no setor público, com 13 mil ocupações a menos, no trabalho autônomo (- 52 mil ocupados) e no emprego doméstico (-29 mil).Por outro lado, o assalariamento no setor privado cresceu 1,4%, com geração de 129 mil novos postos, sendo 92 mil com carteira assinada. Em 12 meses, o setor privado contratou 694 mil pessoas, 588 mil com carteira assinada, o que reforça os números referentes à maior formalização do mercado de trabalho. 


Os rendimentos apresentaram comportamento negativo em julho, em relação à junho, com redução de 0,5% para os ganhos médios reais dos ocupados, que assim ficaram em R$ 1.156. Para o salário médio real a retração foi de 1,1%, e seu valor correspondeu a R$ 1.238.  Em relação a junho do ano passado, houve crescimento de 3,8%. 
 
Comportamento das regiões
Em julho, o desemprego apresentou comportamento diferenciado nas regiões pesquisadas. A taxa de desemprego reduziu-se no Distrito Federal, onde taxa passou de 16,9% para 15,8%, e em Belo Horizonte, cuja taxa chegou a 9,6%, contra 9,9%, do mês anterior. Houve relativa estabilidade em Salvador – com a taxa passando de 20,6%, em junho, para 20,4%, em julho – São Paulo – onde variou de 13,9%, no mês anterior, para 14,1%, em julho –  e em Porto Alegre, cuja taxa manteve-se em 11,9%, nos dois últimos meses. Recife apresentou aumento na taxa, que chegou a 21,6%,  1 ponto percentual acima da registrada em junho, devido ao forte ingresso de pessoas no mercado de trabalho, em conseqüência de expectativas mais positivas para obtenção de emprego. Na comparação em 12 meses, apenas em Recife a taxa de desemprego não teve redução, e apresentou variação positiva de 6,4%. Nos demais casos houve diminuição, as mais expressivas ocorridas em Belo Horizonte (-22,0%) e Porto Alegre (-13,8%). 


O nível de ocupação apresentou variação positiva em todas as regiões pesquisadas. O crescimento foi mais intenso no Distrito Federal (2,1%), Belo Horizonte (1,9%) e Recife (1,4%). Em Porto Alegre, o incremento ficou em 0,6%, e em Salvador (0,3%) e São Paulo (0,2%) a variação indicou relativa estabilidade. Em 12 meses, houve incremento na ocupação em todas as regiões, com intensidades diferentes: 7,9%, em Porto Alegre; 7,4%, em Recife; 7,0%, no Distrito Federal; 5,5%, em Belo Horizonte; 4,7%, em São Paulo e 1,0%, em Salvador.


O comportamento do rendimento médio real dos ocupados, em junho comparado com maio, foi diferenciado entre as regiões: aumentou em Recife (2,3%, passando a valer R$ 1.134), Porto Alegre (1,9%, equivalendo R$ 1.134), Belo Horizonte (1,8%,  com seu valor chegando a R$ 1.100) e no Distrito Federal (1,1%, R$ 1.676); permaneceu estável em Salvador (R$ 936) e diminuiu em São Paulo (2,3%, R$ 1.205).  Em 12 meses,  cinco regiões apresentaram variação positiva: 9,0%, em Belo Horizonte; 5,6%, em Salvador; 4,8%, no Distrito Federal; 3,8%, em Porto Alegre; 2,5%, em São Paulo. Apenas em Recife houve pequena redução, de 0,6%.
 
Mais informações em www.dieese.org.br

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