Juro bancário médio chega a 40,1% anuais e do cheque especial bate em 166,4%

30 setembro 15:57 2008

A alta da Selic, que iniciou em abriu, continua a pesar no bolso dos clientes de bancos. A taxa média de juros bancários avançou 0,7 ponto percentual, indo de 39,4% em julho para 40,1% em agosto. O crédito de maior peso é o do cheque especial. As instituições financeiras ampliaram em 3,7 pontos percentuais a taxa média da operação em agosto para 166,4%, ante os 162,7% ao ano registrados em julho. 


Em 12 meses, o avanço equivaleu a 26,9 pontos percentuais. Nos oito primeiros meses de 2008, a elevação correspondeu a 28,3 pontos. O spread (ganho com a diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação) cobrado pelos bancos nessa operação subiu 3,1 pontos, para 154,1%.


O juro do crédito pessoal verificou expansão de 0,9 ponto, indo de 53,6% em julho para 54,5% um mês depois. Em 12 meses, foi registrada alta de 4,6 pontos. No acumulado do ano, o acréscimo chegou a 8,7 pontos. 


Crédito continua a crescer
Mesmo assim, o volume global de crédito do sistema financeiro atingiu em agosto 38% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 1,11 trilhão. A projeção do Banco Central para 2008 é alcançar 40% do PIB. Na opinião do BC, a crise externa não deve afetar a trajetória de expansão do crédito no Brasil em direção aos 40% do ainda este ano. Por isso a previsão é mantida pela autoridade monetária, mesmo com certa desaceleração no ritmo de crescimento dos empréstimos verificada nos últimos dois meses. De acordo com o banco, o apetite das empresas por crédito continua forte, evoluindo cerca de 40% a taxas anualizadas. 


O estoque de empréstimos aumentou 2,3% em relação a julho e 31,8% nos 12 meses findos em agosto. No ano, a elevação foi de 18,6%.  A parcela de empréstimos com recursos livres, que representa 71,9% do total, ficou em R$ 797,8 bilhões, com expansão de 2,5% no comparativo mensal e de 35% em 12 meses.


A parcela de crédito com recursos direcionados, como financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), créditos habitacional e rural, situou-se em R$ 312,5 bilhões em agosto, com alta mensal de 1,6% e de 24,3% em 12 meses.


Inadimplência estável
Apesar da alta do juros e da expansão do crédito, a taxa de inadimplência em atrasos superiores a 90 dias permaneceu estável na passagem de julho para agosto, em 4,2% do total da carteira de crédito referencial, ou seja, o volume tomado pelo Banco Central (BC) para apurar as taxas de juros médias do sistema. A média de atrasos de operações contratadas por pessoas físicas foi de 7,3% para 7,5% entre um mês e outro. A taxa para pessoas jurídicas ficou estável em 1,7%. 


De acordo com a autoridade monetária, o prazo médio das operações está em 373 dias corridos, sendo 473 dias para pessoas físicas e 296 dias para pessoas jurídicas. 


Desconto em folha não sobe
Uma das operações que não teve grande alta de juros, foi o crédito com desconto em folha. A taxa média aumentou 0,1 ponto, saindo de 28,4% em julho para 28,5% em agosto. Em 12 meses, esse juro teve queda, de 2,4 pontos percentuais. No ano, o acréscimo foi da ordem de 0,4 ponto.


As taxas médias das operações tradicionais de crédito pessoal ficaram em 70,6% em agosto, com expansão de 3 pontos frente aos 67,6% (número revisto) de julho e aumentaram 6,4 pontos em 12 meses. No ano, viu-se aumento de 11,5 pontos. 


Nas outras modalidades de crédito à pessoa física, o custo médio do empréstimo para aquisição de veículos diminuiu 0,2 ponto, para 33,3% em agosto. Em 12 meses, essa taxa cresceu 4,6 pontos. No ano, o avanço foi de 4,5 pontos. 


As taxas de empréstimos cobradas para aquisição de bens variados – como eletroeletrônicos, por exemplo – subiram 1,3 ponto, para 59,2% ao ano. Esse juro médio registrou alta de 4 pontos nos 12 meses findos em agosto. No ano, a expansão ficou em 2,7 pontos.

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