Sobre a privatização de Aeroportos

06 outubro 15:45 2008

A Presidência da República comprometeu-se a não encaminhar nenhuma proposta de mudança da gestão dos aeroportos brasileiros sem antes debater o tema com os trabalhadores do setor.


O compromisso foi firmado pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci durante audiência no dia 1º de outubro com o presidente nacional da CUT Artur Henrique, o presidente da CNTT-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT) Paulo João Estausia, o presidente da Fentac (Federação Nacional dos Trabalhadores na Aviação Civil) Celso Klafke, o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA-CUT) Francisco Lemos, o secretário nacional de Finanças da CUT Jacy Afonso e o diretor executivo José Lopes Feijóo.


‘Nós agendamos audiência com o ministro para apresentar críticas à proposta de privatização dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Viracopos, em Campinas, amplamente divulgada pela mídia no mês de setembro. Avaliamos que a proposta é prejudicial aos trabalhadores e ao país, pois não leva em consideração questões importantes de segurança nacional’, afirmou o presidente da CNTT Paulo João Estausia, que também preside o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região.


O ministro Luiz Dulci foi encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de receber a comissão de representantes dos trabalhadores do setor e confirmar a disposição do presidente de reabrir a discussão sobre privatização com os trabalhadores.


A notícia da proposta de privatização dos aeroportos chegou à imprensa depois de uma reunião no Palácio do Planalto que discutiu a idéia. O ministro da Defesa, Nelson Jobim e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral estão defendendo amplamente a proposta.
 
‘Somos contrários à privatização. E temos propostas concretas para fortalecer a Infraero e aperfeiçoar o atendimento à população que utiliza os aeroportos. É isso que queremos debater com o governo, que garantiu estar disposto à discussão’, afirmou o presidente nacional da CUT Artur Henrique.


Segundo informações da Transport Research Laboratory/TRL*, em seu Airport Performance Indicator 2006, passadas ao ministro pelos representantes cutistas, a Infraero é a terceira maior operadora de aeroportos do mundo, responsável por um negócio envolvendo 110 milhões de passageiros/ano (2007) e 569 mil toneladas/ano (2005) de cargas.


Além desse número considerável, os representantes dos trabalhadores relembraram que a Infraero foi concebida como uma rede de aeroportos mantida através de subsídios cruzados. Isso significa que perder, por exemplo, Viracopos (Campinas) é o mesmo que perder verbas que cobrem o déficit de 38 outros aeroportos.


‘A privatização desses dois importantes aeroportos (Viracopos e Galeão) colocará em risco de colapso todo o sistema aéreo do nosso país, além de fragilizar a soberania nacional. Esse é um dos motivos de sermos contra a privatização e de querermos debater amplamente com o governo e com a sociedade outra forma, que não essa, de administrar os aeroportos de nosso país’, afirmou Paulo João Estausia, presidente da CNTT-CUT.

  Categorias: