Estatais devem dominar a disputa pelo ‘linhão’

08 outubro 13:38 2008

As empresas estatais devem dominar a disputa das linhas de transmissão do rio Madeira, marcada para o dia 29 deste mês. Esta é a avaliação do Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ, que prevê uma participação tímida das empresas privadas internacionais por conta da crise financeira mundial. ‘As estatais vão segurar a disputa ao lado de empresas privadas brasileiras’, avalia o especialista.

O analista cita três possíveis consórcios que participarão do certame: as estatais Chesf e Furnas, ao lado da construtora Odebrecht e da Cteep. ‘A Cteep é do ramo de transmissão e tem uma posição muito boa no mercado, não trabalha alavancada e possui boa geração de caixa’, analisa o professor.

O outro grupo, segundo Castro, será formado pelas estatais Eletrosul, Eletronorte e a construtora Andrade Gutierrez. E o terceiro consórcio será formado pela estatal Cemig e a Terna, empresa de capital italiano. ‘Esta dupla está correndo por fora, talvez ingressem outros investidores no consórcio. Além disso, a Terna possui bom fluxo de caixa’.

Castro afirma que a turbulência na economia mundial traz um forte temor em relação a investimentos de longo prazo, como é o caso das linhas de transmissão. ‘Com a incerteza no setor financeiro, é certo que o deságio no leilão será pequeno’, prevê. Neste tipo de leilão, vence a disputa quem propor a menor receita anual, ou seja, a empresa que der a menor proposta de cobrança de tarifa.

O investimento previsto para este linhão, que vai ligar Rondônia ao município de Araraquara, no interior de São Paulo, está estimado em R$ 7 bilhões e o empreendimento deve entrar em operação em 2012. ‘O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai financiar 70% do total, mas esse empréstimo normalmente demora a sair, por isso o consócio vencedor terá de arcar com esse custo’, diz Castro, para completar: ‘A crise está atrapalhando as estrangeiras, principalmente as espanholas, que, por uma característica da economia daquele país, trabalham alavancadas. Como o mercado está sem liquidez, as espanholas estão sem sustentação’, afirma. Apesar da falta de estrangeiras, o especialista acredita que ‘os lotes serão vendidos porque são grupos fortes que vão entrar no leilão e vão assumir o risco’.

Filé mignon da transmissão

Na semana passada, o governo leiloou sete lotes de transmissão e cinco deles foram arrematados. Na ocasião, as estatais foram dominantes. Márcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, no dia do certame, garantiu que, no leilão das linhas do Complexo Madeira, haverá mais apetite das empresas privadas, sobretudo das estrangeiras. ‘O Madeira é o filé mignon da transmissão. Os sinais que temos é que vai ter competição e acirrada’, afirmou o secretário. Procurado ontem pela Gazeta Mercantil, Zimmermann não quis falar sobre o assunto. (Roberta Scrivano)


 

  Categorias: