CPFL Brasil aposta em serviços para manter visibilidade no mercado livre

09 outubro 17:55 2008

Atualmente, 18 subestações estão em obras e empresa já implantou ao todo 1,5 mil MVA em unidades. Portfólio inclui gestão de ativos e soluções de eficiência energética


No mundo dos negócios, estratégias são fundamentais para a sobrevivência das empresas num ambiente competitivo. Existe um ambiente no setor de energia elétrica, no qual uma estratégia bem traçada é cada vez mais decisiva para o sucesso dos negócios – o mercado livre. E no caso da CPFL Brasil, comercializadora do grupo CPFL Energia, a estratégia adotada foi a de ser conservadora e com visão de longo prazo nos processos de contratação para seus clientes.


Essa visão foi suficiente para garantir, durante seus cinco anos de atuação, a sustentabilidade do negócio de modo que a empresa alcançou um market share de 25% no segmento da comercialização.


Segundo o vice-presidente de Gestão da Energia do grupo CPFL Energia, Paulo Cezar Coelho Tavares, a atuação com base em gestão de contratos de longo prazo e de aliar a comercialização à oferta de serviços diversos a seus clientes resultou num desempenho considerado excepcional pela holding.


A oferta de serviços inclui a construção de subestações nas plantas dos cliente – atualmente, 18 unidades estão em obras e a empresa já implantou ao todo 1,5 mil MVA em unidades. A empresa também faz manutenção de subestações e linhas de transmissão de clientes da empresa, além de projetos de redes particulares e gestão de ativos – que incluem ações como termografia e elaboração de curvas de carga para clientes que possuem medidores eletrônicos. A CPFL Brasil também oferece soluções para eficiência energética, com diagnósticos e implementação de projetos de energia eficiente.


Oferta de energia –  Enquanto busca ampliar o escopo de atuação, a empresa observa os desdobramentos do setor para aumentar a oferta de energia para o mercado livre. Tavares avalia que todo o setor se beneficia com a decisão do governo de permitir às usinas cadastradas nos leilões de energia a negociação de parte da garantia física no mercado livre.


‘Vejo com bons olhos uma política iniciada na negociação da primeira usina do Rio Madeira (Santo Antônio, de 3.150 MW)’, observou, em referência à medida que permitiu negociação de até 30% da energia para o mercado livre. Além de Santo Antônio, Jirau (RO, 3.300 MW) e Baixo Iguaçu (PR, 350 MW) tiveram possibilidade de ofertar a energia no setor.


Tavares aposta ainda numa criação de mecanismos para financiar a expansão da oferta de energia. Foi na gestão dele na Associação Brasileira de Agentes Comercializadores de Energia Elétrica que foi firmado uma parceria com a Bolsa de Mercadorias & Futuros para a liquidação dos contratos de energia elétrica no curto prazo. A iniciativa não foi à frente por falta de liquidez, mas deu espaço a um debate sobre o fomento desses mecanismos no setor de energia elétrica.


Na visão dele, aquela parceria dependeria de ajustes para que o mercado pudesse ficar mais líquido. Apesar disso, o executivo avalia que ainda há espaço para negociação de contratos de energia em bolsa de valores. ‘Hoje a demanda é maior do que a oferta’, destacou. Outro ponto do mercado, para o qual a CPFL está atenta, é a volatilidade dos preços de curto prazo. Os preços ainda apresentarão tendência de alta nos próximos três ou quatro anos, analisa, em função do cenário de pouca margem entre oferta e demanda e por conta da entrada maior de energia térmica no mix energético.


‘Leilões em que a qualidade da oferta está baseada em óleo diesel ou óleo combustível não sinalizam queda de preços, ao contrário’, comenta. Mas o cenário tenderá a se normalizar com a entrada em operação das usinas do Rio Madeira e com a oferta de energia de Belo Monte (PA, 11.181 MW), complementa o executivo. Tavares ressalta, porém, que a contratação de energia em comercializadoras funciona como seguro para eventuais elevações de preços.


E a esperança da empresa, como de todo o mercado, é que o mercado livre possa ter as regras flexibilizadas de modo que qualquer cliente possa migrar – introduzindo a competição no setor. Ele lembra que alguns países europeus permitem que consumidores residenciais possam migrar para o ambiente livre ou cativo, independente do nível de carga ou tensão. No Brasil, estima Tavares, a flexibilização seria viabilizada com uma transição lenta, com migração gradativa, a partir de uma decisão política.. ‘Não há barreira regulatória’, atesta. (Fábio Couto)

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