Ministério vê com otimismo leilão do ‘linhão’, apesar da crise

09 outubro 17:57 2008

Brasília, 9 de Outubro de 2008 – Fonte oficial do Ministério de Minas e Energia negou ontem que tenha recebido qualquer pressão ou pedido de investidores para adiar o leilão das linhas de transmissão do Rio Madeira, que inicialmente foi previsto para ser realizado no fim deste mês. Os estudos e análises do ministério sobre o leilão, bem como os resultados das últimas licitações do setor elétrico, indicam, segundo essa fonte, que não há, por enquanto, motivos para que a hipótese do adiamento entre na pauta de preocupações oficiais.
 
Segundo a fonte, o governo tem todos os motivos para manter o cronograma da licitação, para o qual estão estimados investimentos de R$ 7 bilhões na construção dos 2,2 mil quilômetros de linhas de transmissão entre Rondônia e o interior de São Paulo. Além de haver recursos garantidos para financiamento do empreendimento, e dos resultados positivos alcançados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos mais recentes leilões de energia, um recurso técnico importante assegura o interesse de grupos estrangeiros nos ‘linhões’.
 
‘A alternativa de implantação do projeto em corrente contínua é um dos atrativos do empreendimento’, afirmou essa fonte, referindo-se ao leilão da semana passada, em registrou deságio recorde (60%) sobre o preço máximo fixado pelo edital. Nesse ambiente de grande procura, ‘não há porque pensar em adiamento’, ponderou a fonte. Essa alternativa proporciona, além de implantação mais barata, menores perdas ao sistema. Para o ministério, os 70% de investimentos estrangeiros obtidos pelos últimos leilões são forte indício de que vai haver disputa pelos ‘linhões’. ‘O ministério assegura que há interessados na disputa’, reforçou, identificando empresas espanholas, especializadas em corrente contínua, no grupo de interesse.
 
As linhas de transmissão do Madeira vão entregar ao mercado consumidor do sistema interligado nacional a energia gerada pelas usinas de Santo Antônio e Jirau, previstas para estarem concluídas a partir de 2013 e até 2016, com possibilidade de antecipação de carga a partir do final de 2011 ou início de 2012. Essa antecipação está condicionada, pelos consórcios vencedores, à rápida definição de licenças que permitam o início das obras, como a de instalação de Jirau. A usina de Santo Antônio já obteve essa licença e está apta a avançar na instalação do canteiro de obras.
 
Por esses motivos, o ministério rejeita, diz um interlocutor do ministro Édison Lobão, o movimento que tenta criar clima para adiamento do leilão das linhas, sem que seus articuladores estejam claramente identificados. ‘Gostaríamos de receber os interessados nesse adiamento, para mostrarmos que não faz sentido, pelo menos no contexto que ele é conduzido’, afirmou.(Márcio de Morais)

  Categorias: