Perdas com dívida em dólar derrubam Cesp

09 outubro 17:58 2008

A grande variação do dólar no mercado à vista ontem derrubou o preço das ações da Cesp na Bolsa de Valores de São Paulo. A empresa tem mais da metade dos empréstimos e financiamentos atrelada à moeda americana, segundo informa em seu balanço do segundo trimestre. Mas o pregão desta quarta-feira só reforçou o péssimo ano da Companhia Energética de São Paulo, que já perdeu R$ 9,5 bilhões de seu valor de mercado desde janeiro e figura entre as maiores quedas do Índice Bovespa em 2008. 


Pelo menos nos negócios de ontem, a empresa não foi a única do setor elétrico a sofrer. Também em função do dólar, as ações da Tractebel e da Copel caíram quase 7% cada um.


O preço das ações da Cemig e da CPFL também caiu mais de 10%, com a diferença de que os investidores saíram desses papéis, na avaliação de alguns analistas, para realizar lucros e aproveitar boas oportunidades em outras ações da bolsa que perderam valor significativo no ano e que estão baratas.


Um relatório divulgado ontem pelo banco Santander mostra bem a situação das empresas do setor. A Cesp e a Tractebel precisam de refinanciamento no curto prazo e com as atuais condições de mercado podem ter que arcar com maiores despesas financeiras. No curto prazo, a amortização a ser feita deve alcançar o montante de R$ 850 milhões. Além disso, ambas têm valores significativos de suas dívidas atreladas ao dólar.


Só no terceiro trimestre, o Santander prevê que a Cesp vai ter uma perda financeira de R$ 360 milhões. Se considerado o período entre 30 de junho e a última terça-feira, essa perda financeira pode chegar a R$ 836 milhões. A dívida atrelada ao dólar da Cesp chega a R$ 1,9 bilhão, de um total de empréstimos e financiamentos de R$ 3,1 bilhões. Ou seja, mais de 60% da dívida está atrelada à moeda americana. Na conta do Santander, esse percentual é de 32% porque o banco leva em consideração na dívida total as obrigações da empresa com os fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs).


Para a Tractebel, a perda financeira estimada para o terceiro trimestre é menor, de R$ 48 milhões. Chegaria a R$ 112 milhões entre junho e outubro. Outra empresa do setor com dívida em dólar é a Copel e, segundo o relatório do banco Santander, as perdas da empresa paranaense podem alcançar um total de R$ 53 milhões neste ano. A dívida em dólar da empresa representa 6% do total e os valores não estão protegidos, ou seja, com hedge cambial.


Outro ponto que ajudou a derrubar o índice das empresas do setor elétrico, que caiu 6,5% enquanto o Ibovespa caiu 3,8%, é a expectativa de que caia o percentual do lucro a ser distribuído na forma de dividendos pelas companhias do setor. A expectativa é que Tractebel, Energias do Brasil, CPFL, Coelce e Cemig reduzam os valores em função da relação apertada entre ativo e passivos de curto prazo e alta necessidade de recursos para financiar os projetos. A Cemig caiu ontem 13,6% e a alta das ações no ano é de 2,32%. Era de 12% até terça-feira. (Josette Goulart e Daniele Camba)

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