CUT e Centrais tomam as ruas de São Paulo

16 outubro 14:07 2008

CUT e outras Centrais Sindicais marcharam juntas pelas ruas do Centro de São Paulo na manhã desta sexta-feira (10) na Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, princípio fundamental da OIT, que reuniu de forma inédita no país as duas centrais internacionais, a Central Sindical Internacional (CSI) e a Federação Sindical Mundial. A equipe do Sinergia CUT marcou presença na manifestação participando ativamente do ato.

O objetivo da Jornada foi chamar a atenção da população para o tema que no Brasil se traduz na defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, ampliação da oferta de emprego e de qualificação ao jovem, garantir de emprego digno com carteira assinada, respeito à organização sindical, combate ao trabalho infantil e escravo, igualdade de direitos entre homens e mulheres, e contra a discriminação de gênero, raça ou orientação sexual
Entoando palavras de ordem em defesa da ampliação de direitos e pela redução da jornada, os manifestantes partiram do Teatro Municipal, na Praça Ramos, seguindo em passeata até a Delegacia Regional do Trabalho, sob aplausos da população.

‘Nesta semana, no mundo todo, foram realizadas passeatas e mobilizações em defesa do trabalho decente. Em nosso País, apesar dos avanços no último período, temos trabalhadores massacrados pela brutalidade nos canaviais, mulheres que recebem salários inferiores aos dos homens por trabalho igual, negros submetidos ao preconceito do mercado e jovens que não conseguem seu primeiro emprego e nem qualificação’, declarou o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, um dos coordenadores do ato na capital paulista.
João Felício saudou a combatividade do sindicalismo brasileiro no exemplo de categorias em luta, como os bancários e metalúrgicos, em greve por melhores condições de vida e salário. Neste momento, sublinhou, as centrais se unem contra os neoliberais que querem impor o retrocesso nas relações trabalhistas, e ampliam a pressão para que o Congresso Nacional aprove a ratificação das Convenções da OIT, a 151 – que garante o direito de negociação aos servidores públicos e a 158 – para que não haja dispensa imotivada. ‘É preciso também reduzir a jornada, profundamente excessiva, diminuir a intensidade do ritmo de trabalho, fortalecendo nossa ação unificada por um país mais justo, com democracia no local de trabalho, mais empregos e distribuição de renda’, ressaltou.

A proposta indecente do governo estadual de ‘transformar os 10 minutos de intervalo entre as aulas em jornada extraclasse, para que o professor prepare aulas e corrija provas é um atentado contra a qualidade do ensino’, denunciou João Felício, exemplificando o ‘desprezo tucano pela educação pública’.  
O secretário de Relações Internacionais da CUT condenou ainda o neoliberalismo e a irresponsabilidade do sistema financeiro, ‘que agora tenta jogar sua crise sobre os ombros da classe trabalhadora’ e sublinhou o papel da unidade das centrais internacionais para a defesa dos direitos da classe em todo o planeta.


Para a secretária Sobre a Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, Rosane Silva, ‘é preciso aproveitar o momento de crescimento econômico para avançar na pauta da classe que tem no trabalho decente uma importante reivindicação, para que sejam respeitados os direitos e sejam ratificadas e colocadas em prática as Convenções da OIT’. Ao lutar por trabalho decente para as mulheres, acrescentou Rosane Silva, ‘defendemos salário igual para trabalho igual com os homens e o fim da discriminação nos locais de trabalho’.

Contra a indecência


Entre as ‘indecências’ denunciadas pelos manifestantes está a super exploração a que são submetidos os taxistas de frota, que já saem devendo ao dono dos táxis entre R$ 80,00 a R$ 100,00 todos os dias, necessitando trabalhar até 18 horas para obterem seu sustento. O desrespeito ao trabalho doméstico e os abusos contra os trabalhadores do telemarketing também foram lembrados.


DRT


Na Delegacia Regional do Trabalho, o Secretário de Relações do Trabalho do MTE, Luiz Antonio de Medeiros, e o superintendente em exercício da DRT, Makoto Sato, receberam das mãos dos dirigentes das centrais um documento com as reivindicações da jornada.


‘A luta das centrais é também a luta do governo, que vê como prioritárias esta parceria com os trabalhadores’, declarou Medeiros, comprometendo-se a encaminhar o documento ao ministro Carlos Lupi. ‘Estamos juntos no combate ao trabalho precário, ao trabalho escravo e infantil, lutando contra as falsas cooperativas, contra a terceirização feita para baixar salários e reduzir direitos’, concluiu.


Entre outras lideranças, participaram da passeata a secretária nacional de Organização da CUT, Denise Motta Dau; a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti e Expedito Solaney, da executiva nacional cutista; a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha; o presidente do Sinergia, Jesus Francisco Garcia e o secretário-geral da CUT-SP, Adi dos Santos Lima.

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