TCU: país deixa de arrecadar R$ 10 bilhões com perdas de energia

16 outubro 16:00 2008

TCU: país deixa de arrecadar R$ 10 bilhões com perdas de energia


O Brasil deixa de receber cerca de R$ 10 bilhões em impostos em razão das perdas de energia elétrica por ano, de acordo com auditoria do Tribunal de Contas da União para avaliar o impacto dessas perdas no sistema elétrico brasileiro. Segundo a apuração, os consumidores ainda pagam 5% a mais nas tarifas e, nos últimos anos, tem ocorrido crescimento desses prejuízos, causados por furtos, falhas operacionais e ausência de medição.


A tecnologia utilizada pelas distribuidoras é uma das causas das perdas. Técnicos do TCU verificaram que, das 64 distribuidoras do Brasil, ainda existem empresas que usam relógios como medidores, cuja tecnologia tem mais de cem anos, o que facilita o furto e dificulta a medição eficiente. Os técnicos visitaram a Light e a Ampla, no Rio de Janeiro, e a Manaus Energia , no Amazonas, onde constataram que a ‘vulnerabilidade da rede elétrica é muito grande’.


De acordo com o relatório do tribunal, só o volume de energia perdida em 2007 poderia abastecer os estados de Minas Gerais, Ceará, Bahia e Pernambuco, juntos, por um ano. Além disso, toda a energia que será produzida pela usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, corresponderá a pouco mais de 35% das perdas elétricas anuais do país. No Brasil, segundo o TCU, há tecnologia disponível para reduzir significativamente as fraudes no consumo de energia, mas apenas 7% dos recursos destinados a novos estudos são empregados em projetos de combate às perdas.


O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) desenvolveu um sistema de medição centralizada, que possibilita o gerenciamento da rede de distribuição de maneira mais eficiente. Como exemplo foi citada a concessionária Ampla, que chegou a implantar um sistema de medição eletrônica para 350 mil consumidores e, onde esse sistema foi instalado, a rede ficou blindada e evitou o furto. O Rio de Janeiro apresenta uma das maiores perdas do país, justificadas pelos problemas da violência e da ausência de fiscalização nas favelas.


Assim, o TCU recomendou que a Aneel tome medidas para diminuir as perdas. A agência foi recomendada a estabelecer níveis de perdas técnicas admissíveis por meio de comparação entre as distribuidoras e definir uma trajetória descendente para os prejuízos, entre outras medidas.

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