Emprego na indústria crescerá 4,5% em 2008

17 outubro 15:11 2008

São Paulo, 17 de Outubro de 2008 – O nível de emprego da indústria paulista deverá fechar este ano com crescimento próximo a 4,5% frente ao registrado em 2007. Somente no mês de setembro foram criadas 11 mil novas vagas no estado, e 167 mil nos nove primeiros meses do ano, aponta a pesquisa do Nível de Emprego, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em relação a agosto, o mês de setembro apresentou evolução do emprego na indústria de 0,48%, e de 0,26% com ajuste sazonal. A variação acumulada em 2008 até setembro é de 7,65%.


Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, ‘até agora o panorama do emprego em São Paulo indica uma evolução razoável, dentro da expectativa, e continua sadio’. No entanto, ele não arrisca uma previsão para o próximo ano, devido à instabilidade do cenário econômico atual.


Defasagem


A crise ainda não atingiu os empregos no estado, ‘mas há um período de defasagem, de quatro meses em média, até que uma eventual queda no nível de atividade e produção se reflita no nível de empregos’, explica Francini. Ele salienta que 13 dos 21 setores pesquisados geraram em-pregos em setembro, quatro demitiram, e ou quatro restantes apresentaram quadro estável.


Francini acredita que as medidas do governo para atenuar os efeitos da crise no Brasil ‘estão na direção correta, mas não com a eficiência ideal’. Ele avalia que a ação do Banco Central (BC) ao adquirir carteiras de bancos de pequeno e médio porte ‘não surtiu o efeito necessário’, e que o desbloqueio dos recursos advindos dos depósitos compulsórios, flexibilizado recentemente pelo BC, ‘não irrigaram o sistema financeiro’.


Terra arrasada


O diretor da Fiesp lembrou que já existem indústrias reclamando da falta de acesso a crédito bancário, e acusou os bancos de não repassarem ao sistema produtivo os recursos liberados com os compulsórios. ‘Não adianta as instituições financeiras serem castelos em terra arrasada’, disse Francini, acrescentando que ‘o crédito é o oxigênio das empresas, e muitas delas estão ficando sem ar, principalmente as pequenas e médias’.


A Fiesp manteve para este ano sua estimativa de crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas Francini destacou que a entidade está preparando uma revisão da estimativa para 2009, que era de avanço de 4,1% na economia, e ‘certamente será diminuída’, concluiu. (Bruno De Vizia)

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