A intransigência dos governos do PSDB está no DNA

21 outubro 15:47 2008

É repugnante a postura de Serra, Yeda e Aécio Neves, respectivamente, governos dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, todos do PSDB! Logo, podemos deduzir que os atos de barbárie que assistimos nesta quinta-feira (16/10) não são atos isolados. Representam postura de governos que ironicamente se dizem sociais democratas, quando na verdade, se caracterizam mais pelos aspectos marcantes de governos e partidos nazi-fascistas, como bem explicitados na nota de repúdio da nossa Central.    


Curioso notar que, ao mesmo tempo em que aconteciam as agressões em São Paulo e no Rio Grande do Sul, Serra se comunicava com Senadores de seu partido em Brasília, para que os mesmos pudessem usar a palavra no Senado, em solidariedade ao seu Governo e repudiando o ‘uso político’ pela CUT e pelo PT das respectivas manifestações, cujo interesse, segundo eles, era o de manipulação eleitoral em favor das candidaturas petistas em São Paulo e em Porto Alegre.    


Ora, se eles desconhecessem nossa história, poderíamos lhes dar um desconto. Mas, exatamente porque conhecem nossa história e nos temem, é que buscam nos calar e nos desgastar através da manipulação da opinião pública, via os meios de comunicação.  


Lembro-me na década de 80, quando das grandes greves gerais contra os planos econômicos que arrochavam os salários e as condições de vida da classe trabalhadora, os ministros do Governo Sarney, sobretudo o Ministro da Justiça Paulo Brossard em 1986, indo à televisão em Cadeia Nacional nos acusar de articulação internacional contra os interesses da nação. Dizia inclusive que recebíamos dinheiro do exterior para criar instabilidade no país. Éramos chamados de baderneiros e irresponsáveis. Tudo porque não aceitávamos pagar, de forma alguma, com o nosso suor, com a nossa força de trabalho, uma dívida cujos frutos eram repartidos entre banqueiros e empresários, ficando para a classe trabalhadora as migalhas.  


Lembro-me, do tratamento do Governo Franco Montoro, também em 1986, quando na legitima greve dos canavieiros da região de Limeira, a truculência policial resultou no histórico massacre de Leme, onde além dos inúmeros trabalhadores(as) feridos(as), foram assinados dois trabalhadores ( Orlando e Cibeli ) que nada tinham a ver com aquele movimento reivindicatório. Naquele episódio, eles também saíram rapidamente acusando a CUT e o PT pelo confronto e pelas mortes. Já naquele momento, ficava explicito para todos nós que a mídia sempre jogaria contra os interesses dos trabalhadores(as), dando maior espaço às falas fantasiosas das autoridades com o objetivo de manipular a opinião pública.  


Destaco que, a origem do PSDB de Serra, Yeda e Aécio, este último, há duas semanas também colocou o seu aparato policial contra a manifestação legitima dos trabalhadores da Educação, é o PMDB da época de Brossard e Montoro. Por isso, não tenho dúvida de que essa postura arrogante, autoritária, que deslegitima os movimentos populares e sindical, não decorre de um evento isolado, conjuntural, trata-se na verdade de uma característica presente no DNA do PSDB. Essa estratégia de criminalização dos movimentos é parte do plano de ação em curso pela elite golpista brasileira que não se conforma com o processo de aprofundamento da democracia e os avanços no reconhecimento dos movimentos sociais e suas representações. As falas sobre o episódio dos representantes do PSDB no Senado, refletem o preconceito e o horror que eles têm à continuidade deste processo. Haja vista, que as falas se referindo a nossa Central e ao PT, destacavam: ‘eles apanharão agora e apanharão em 2010’.   


Pergunto: Quem está utilizando os conflitos para manipular a opinião pública e tirar proveito da situação, apresentando-se como vítima no processo eleitoral em curso? Por que Serra apressou-se em acessar seus aliados em Brasília e a mídia em São Paulo, para dar uma conotação nacional a um conflito que somente ocorreu pela sua truculência? Por que ao apontar culpados faz questão de fixar os olhos para as câmeras e afirmar contundentemente que havia indícios claros de manipulação com interesses eleitorais? Ora, sabemos que uma mentira quando repetida inúmeras vezes pelo mesmo portador, vira verdade. E no fundo é isso, eles querem que a mentira prevaleça como verdade.   


Felizmente pra nós que temos a história a nosso favor, e infelizmente, para os governos do PSDB, características presente no DNA, tese comprovada pela ciência biológica, não há como se mudar. Está impregnada até a alma! Então, truculência, arrogância, autoritarismo e manipulação da opinião pública são características herdadas da qual eles não têm como esconder. Ah, lembram da chamada ‘era FHC’? Pois é! Não era à toa que sofria desses mesmos males. Os petroleiros que o digam!   


E quando tais características já estão no sangue e as oportunidades que a vida lhes oferece, estimula a potencialização do uso das mesmas, aí é que o ‘bicho pega’ para o bem ou para o mal. Ou seja, no caso do PSDB com isso no sangue, aliando-se historicamente aos herdeiros do pensamento que sustentou por mais de 20 anos o regime da ditadura militar, os quais se organizavam na ARENA, depois no PFL e agora no DEM, imaginem o que teremos ainda pela frente.  


Em tempo: a verdadeira social democracia tem como fundamento uma forte sustentação social baseada em uma relação orgânica com movimentos sociais e sindical e sempre reconheceu o Estado de Direito, particularmente, o de participação, organização e liberdade de expressão – características históricas dos partidos sociais democratas que o PSDB não tem. Logo, suas lideranças não passam de liberais conservadores, mascarados de democratas, fiéis à tradição da elite paulista que no final do império defendiam a República, ao mesmo tempo em que eram contra a libertação dos escravos. E, em cada oportunidade que têm, eles não perdem a chance de mostrar para quê estão aí: para incriminar os movimentos sociais, reprimir, mentir, manipular a opinião pública e se apresentarem como vítimas de reações que ocorrem por conta da sua tradicional truculência. Não há como mudar este DNA! (José Celestino Lourenço, secretário nacional de Formação da CUT)

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