Brasil vai precisar de investimentos de US$ 310 bilhões em geração até 2030, afirma estudo

03 novembro 16:59 2008

Montante vai suportar crescimento da demanda de 4,4% anuais no período. Taxa de produção de energia vai crescer 4,2%, segundo estudo da Ernest & Young e FGV Projetos


O Brasil vai se transformar nos próximos 22 anos em um dos cinco maiores consumidores de energia elétrica do mundo. Para suportar esse crescimento será necessário um investimento de US$ 310 bilhões em geração até 2030. É o que conclui o estudo ‘Brasil Sustentável: Desafios do Mercado de Energia’, da consultoria Ernest & Young e FGV Projetos. As projeções mostram um crescimento de 4,4% ao ano no consumo de eletricidade e de 4,2%, na produção.


‘Esse montante é estimado para possibilitar o crescimento da demanda de energia elétrica de 4,2% ao ano, com um PIB de 4%’, afirmou José Carlos Pinto, sócio da Ernest & Young. O consumo de energia elétrica chegará a 1.072,8 TWh em 2030, ficando em quinto lugar entre os maiores consumidores, ante 412,6 TWh em 2007. O país ficará atrás de China (13.036,2 TWh), EUA (6.668,1 TWh), Índia (1.762,5 TWh) e Rússia (1.163,8 TWh).


A matriz elétrica do país continuará a ter uma preponderância de hidroeletricidade. Mas com ganhos de outras fontes, como térmicas, nucleares e eólicas. ‘Apesar de a matriz continuar substancialmente hidrelétrica, essa proporção vai diminuir nos próximos 22 anos’, observou o executivo. Segundo ele, os entraves ambientais continuarão a restringir a exploração do potencial hidráulico do país.


‘Nos últimos anos, os leilões de energia têm privilegiado a geração térmica, mais poluente, que a hidrelétrica, em decorrência da dificuldade de obtenção de licenças’, analisou Pinto em entrevista à Agência CanalEnergia. Contudo, ele se mostrou otimista com os últimos movimentos da área ambiental do governo para ‘não radicalizar’ posições. ‘Há um encaminhamento mais racional’, completou.


Para o executivo, haverá um investimento mais robusto em hidrelétricas, sem agredir os interesses ambientais. ‘As hidrelétricas continuarão substancialmente superiores à geração térmica, tornando o produto brasileiro mais forte’, comentou. O estudo mostra que a competitividade da indústria brasileira pode ser comprometida. O preço da energia continuará subindo, com uma previsão de 31,2% até 2030.


‘Tem os custos inflacionários, porém, o mais representativo é o cumprimento das exigências ambientais’, frisou Pinto. Essa custo vai bater no setor que vai puxar o crescimento da demanda, a indústria. O segmento vai aumentar o consumo em 5% ao ano até 2030. ‘O crescimento será acima da média nacional, contribuindo com o aumento do PIB’, comentou.


De acordo com Ricardo Lima, presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, um outro estudo encomendado pela entidade mostra que o preço da energia pode subtrair 7,1% do crescimento do PIB até 2015, o equivalente a US$ 215 bilhões. O estudo da Y&R foi apresentado na última quarta-feira, 30 de outubro, durante evento do Programa Energia Competitiva da Abrace, em São Paulo.


O setor residencial terá um crescimento médio de 3,9% ao ano no período, puxado pelo aumento de renda e número de consumidores. Esses dois índices compõem o índice nacional médio de 4,4% de crescimento anual, que é maior que o de geração, de 4,2% ao ano. 


A diferença não preocupa Pinto porque a capacidade de geração nacional continuará superior à demanda. O excedente de energia elétrica deve cair 0,1% ao ano, ficando em 2,7 milhões de toneladas equivalente de petróleo. ‘O Brasil também está avançando na formatação de tratados internacionais para geração em outros países, como Peru e Venezuela. O balanço é positivo’, disse José Carlos Pinto, da Y&R.


Outro componente forte será a eficiência energética. O país terá um ganho de eficiência de 0,7 ponto percentual. ‘A média de ganho de eficiência energética no Brasil é superior à média dos países industrializados [0,6 p.p]’, comparou Pinto. A média mundial de ganhos de eficiência é de 0,9 ponto percentual. Segundo o estudo, a eficiência reflete o encarecimento da energia e políticas de redução de emissões de gases.


De uma maneira geral, o consumo de energéticos no Brasil vai pular de 223,2 milhões de tep, em 2007, para 468,7 milhões de tep, em 2030. Com isso, o país passará de 11º maior consumidor para 7º lugar no ranking, ultrapassando Alemanha, França e Grã-Bretanha. (Alexandre Canazio)

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