Dívida em dólar leva Cesp a registrar prejuízo de R$ 114 milhões

17 novembro 16:07 2008

Uma das poucas empresas do setor elétrico a ter um forte endividamento em dólar, a Cesp foi também uma das poucas do setor a apresentar prejuízo justamente afetada pela alta da moeda americana. Entre as grandes geradoras, foi a única a ter prejuízo. Esse tem sido um ano difícil para a empresa no mercado de capitais. Desde o fracasso da tentativa do governo do Estado de São Paulo de privatizá-la no início deste ano, as ações da companhia sofreram uma forte derrocada na bolsa de valores. 


A empresa começou o ano valendo, no mercado, cerca de R$ 14 bilhões. Na semana passada, valia menos de R$ 5 bilhões. Uma perda de quase 70%. O governo ainda continua interessado em vender a empresa, mas primeiro será preciso que o governo federal decida prorrogar as concessões. 



A Cesp, como várias outras empresas do setor, tem concessão vencendo em 2015 e esse foi um dos motivos que levaram os grandes investidores a não darem lances pela companhia, em março. Até porque teriam que desembolsar na época cerca de R$ 22,3 bilhões. Do total, R$ 7 bilhões iriam para o governo do Estado, R$ 9,7 bilhões para os minoritários, fora as dívidas que seriam assumidas. E, naquela época, a preocupação cambial praticamente não existia. Cenário que mudou neste trimestre com o agravamento da crise global. O dólar fez o resultado financeiro da Cesp ficar negativo em R$ 565,7 milhões, levando a prejuízo de R$ 114 milhões. 



O resultado operacional, representado pelo lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida), foi até melhor que o esperado, segundo o analista do Banco Santander, Márcio Prado. Ele diz que o consenso do mercado era um lajida na faixa dos R$ 350 milhões e o terceiro trimestre fechou em R$ 439,5 milhões. É um número bem superior ao dos dois primeiros trimestres do ano, mas muito parecido com o do ano passado. O crescimento em relação ao terceiro trimestre de 2007 foi de apenas 2%. A receita operacional líquida, entretanto, cresceu 16%. 



As despesas operacionais da companhia subiram fortemente também no trimestre, cerca de 33%, influenciadas principalmente pelo maior gasto com pessoal. A despesa financeira, entretanto, foi o principal destaque negativo do balanço da Cesp. Enquanto no ano passado, neste mesmo período, a companhia gastou R$ 90 milhões para pagar encargos de dívidas, neste trimestre esse gasto saltou para R$ 565 milhões. A dívida da companhia atrelada à moeda estrangeira atinge R$ 2,3 bilhões. Já chegou a R$ 4 bilhões, em 2006. Mas em dólar a redução da dívida nessa mesma comparação foi de apenas US$ 600 milhões. Do endividamento total, a parte em moeda estrangeira, sem contar fundos de direitos creditórios, é de 60%. 



Apesar do prejuízo, no mês as ações da Cesp sobem 37%, mas boa parte da valorização se deve ao fato de o papel ter ficado muito barato, chegando a bater R$ 8,00. No início do ano, os papéis preferenciais da Cesp valiam R$ 45,51.(Josette Goulart, de São Paulo)

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